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[Álbum] David Bowie – Ziggy Stardust

[Álbum] David Bowie – Ziggy Stardust

O título inteiro do álbum que avaliamos hoje é The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, cujo aniversário é comemorado no dia 6 de junho, e que amanhã completará 40 anos desde seu lançamento. Considerado um dos álbuns mais importantes e influentes da música, esse trabalho consagrou David Bowie como um astro e certamente merece essa pequena homenagem que faremos hoje.

A ideia do personagem surgiu do cantor Vince Taylor, que tomado por depressão e esquizofernia, afirmava acreditar ser algo entre um deus e um alienígena. Porém, essa foi apenas uma das influências para Ziggy Stardust, que também incluíram o cantor Legendary Stardust Cowboy (perito no gênero outsider music, conhecido por quebrar diversas regras musicais), que emprestou parte de seu pseudônimo para o álbum e o personagem Ziggy Stardust, e seu estilista Kensei Yamamoto, que desenvolvia as roupas que Bowie utilizava em suas tours.

A ideia do nome Ziggy possui diversas explicações, dadas pelo próprio Bowie; uma delas é a que Ziggy é o único nome cristão iniciado com a letra Z que ele conseguiu pensar, a outra vem de uma loja em Londres chamada Ziggy’s, que ele passou por e se lembrou de seu amigo Iggy Pop.

As gravações do álbum foram iniciadas em 1971, pouco após as gravações de seu álbum anterior, Hunky Dory, um dos mais importantes de sua carreira, além de seu primeiro experimento com o gênero glam rock, o qual Bowie se tornou mais conhecido por. Algumas faixas e singles sem álbum foram lançados nesse período, enquanto o álbum não estava pronto. Diversas faixas como Velvet Goldmine, All the Young Dudes e covers como Around and Around, de Chuck Berry, e Amsterdam, de Jacques Brel, foram gravadas nesse período, mas acabaram não entrando na tracklist final. E foi em 1972 que Bowie apresentou seu primeiro alter ego, um dos mais reconhecidos da história da música: Ziggy Stardust.

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars conta a história de Ziggy Stardust, a personificação humana de um alienígena, cuja missão é dada por alienígenas; escrever canções com mensagens de paz, esperança, e amor, pois em cinco anos o mundo acabará. Five Years é a faixa que introduz a história, onde os vocais e gritos dramáticos de Bowie dão o ênfase que uma música sobre o fim do mundo precisa. Nessa era, praticamente ninguém mais quer tocar rock ‘n’ roll, e mesmo os pouquíssimos que querem, não tem como, pois não há eletricidade e as notícias no mundo inteiro são sempre terríveis. All the Young Dudes, faixa que não faz parte do álbum mas sim do conceito, ilustra essa parte da história claramente, tornando-se o completo oposto de um “hino à juventude”, como muitos pensavam.

Five Years
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Soul Love, a segunda faixa de Rise and Fall, é melodicamente uma das mais bonitas e viciantes do álbum (além de ser uma das poucas faixas que não sobe o tom sem parecer brega) com sua letra ilustrando diversos tipos de amor, como Stone Love, o amor aos que já se foram; New Love, o amor romântico, entre os casais apaixonados; e Soul Love, o amor religioso e mais perigoso de todos. Soul Love é diretamente ligada à terceira faixa, Moonage Daydream, a canção que introduz o protagonista da história, Ziggy Stardust, o “invasor alienígena”, considerado um messias. Moonage Daydream é a faixa mais pesada do álbum e havia sido gravada anteriormente por David Bowie em seu projeto paralelo de curta duração Arnold Corns, mas é essa versão que tornou-se a mais reconhecida. Os solos de guitarra de Mick Ronson e a letra quase dadaísta de tão metafórica tornam-a uma das mais interessantes de se ouvir, dentro e fora do contexto do álbum.

Soul Love
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Moonage Daydream
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Após a introdução do protagonista, surge Starman, uma das músicas mais conhecidas de David Bowie e que já ganhou versões em português de algumas bandas nacionais (que são horríveis). Starman conta sobre Ziggy, o extraterrestre, entrando em contato com os humanos através de rádio, prometendo salvação para todos. Essa também é a primeira faixa escrita pelo personagem Ziggy, que inspirou todos a seguirem-o. E finalizando o lado A de Rise and Fall (analisando-o como um disco de vinil), há um cover dos Kinks, It Ain’t Easy, que apesar de ser um bom cover, não faz parte do contexto poderia muito bem ser substituída por alguma canção como Velvet Goldmine e Sweet Head, que se encaixam muito mais.

Velvet Goldmine
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Já o lado B retoma a história de Ziggy Stardust com toda força, iniciando com Lady Stardust, onde Ziggy introduz a androginia no rock ‘n’ roll, dessa forma referenciando claramente o glam rock dos anos 70. Lady Stardust havia sido concebida como uma homenagem a Marc Bolan, do T. Rex, amigo e rival de David Bowie, e tornou-se um hino dos fãs do gênero. Star, a faixa seguinte, possui uma conotação parecida, mas sobre a vida de ser um astro do rock em geral. Hang on to Yourself demonstra a ascenção da banda de Ziggy Stardust, os Spiders From Mars, e as únicas formas de sobreviver nesse mundo.

Lady Stardust
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A ascenção e decadência do alienígena rockstar é contada na faixa título, Ziggy Stardust, do ponto de vista de um membro de sua banda. A canção é uma das mais famosas de Bowie e bandas de inúmeros gêneros, de Bauhaus a Guns N’ Roses, já fizeram covers e homenagens a ela. Essa canção é a mais importante da história, contando que o alienígena salvador era uma farsa, e que ao invés de salvar o mundo, estava se afundando em drogas e promiscuidade (algo que havia ficado implícito em Star e Hang on to Yourself), absorvido em seu próprio ego, sendo adorado como um Deus, mas não conseguindo salvar absolutamente nada. Suffragette City, outra famosa canção do álbum, desconstrói todo o glamour referenciado em Star, mostrando os perigos da fama e os inúmeros defeitos e riscos de ser um astro do rock.

Ziggy Stardust
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E para finalizar The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, assim como a própria história de Ziggy Stardust, surge a faixa mais melancólica e soturna do álbum: Rock ‘n’ Roll Suicide. As canções de paz que Ziggy prometeu tornaram-se músicas sobre escuridão e desespero, ele mesmo havia se afundado em drogas e não trouxe a salvação prometida. O mundo continuou morrendo aos poucos. Tomados pelo ódio e pela decepção de terem sido enganados pelo falso profeta, seus próprios fãs invadem o palco durante um de seus shows e esquartejam Ziggy Stardust, dessa forma matando novamente o rock ‘n’ roll que ele e seus fãs haviam reinventado. E novamente o mundo não tinha uma esperança, estando destinado a um fim inevitável.

Rock ‘n’ Roll Suicide
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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars foi remasterizado diversas vezes com o tempo, a mais recente (antes do novo relançamento comemorando os 40 anos do álbum) em 2002, para comemorar os 30 anos de seu lançamento. Seu próximo disco apresentou seu novo alter ego, Aladdin Sane, que também deu nome ao próprio álbum. Bowie continuou se apresentando como Ziggy Stardust mesmo após o lançamento de Aladdin Sane, e utilizou elementos de ambos os personagens e seus respectivos álbuns em sua Ziggy Stardust Tour. A tour de David Bowie como Ziggy Stardust deu origem a um filme, Ziggy Stardust: The Motion Picture, misturando documentário e o último show de sua tour Ziggy Stardust Tour, lançado em 1973, embora a trilha sonora só tenha sido lançada vários anos mais tarde. O show documentado encerra com Bowie, pouco antes de cantar Rock ‘n’ Roll Suicide, afirmando que aquele não era só o último show da tour, mas também o último show que eles fariam. Muitos pensaram que ele se aposentaria, mas na realidade aquela foi a despedida do personagem Ziggy Stardust, que o cantor nunca mais utilizou desde então.

A história de Ziggy Stardust pode ser considerada o clichê do rockstar atualmente, mas devemos lembrar que quem introduziu esse conceito foi o próprio Bowie, influenciado por outras rock operas como Tommy, do The Who, e Arthur, do The Kinks. Não só a história e o contexto são interessantes, mas também é muito difícil dizer uma única faixa ruim do álbum; talvez uma ou outra passável, mas jamais ruim. Não é à toa que Ziggy Stardust sempre figura em diversas listas de “melhores álbuns de todos os tempos”, mérito esse bastante merecido; até mesmo críticos mais difíceis de agradar, como Robert Christgau, elogiaram o álbum e sua importância para a música. Podemos destacar os vocais encaixando-se perfeitamente às melodias, a guitarra de Mick Ronson e seus riffs e solos inesquecíveis, bateria, baixo e teclado perfeitamente coesos, a produção avançadíssima para a época, entre tantos outros fatores que transformam esse em um disco atemporal. Talvez não seja o melhor trabalho de David Bowie, mas certamente é seu mais importante. Afinal, como não ter respeito por um álbum cuja instrução na contracapa é “TO BE PLAYED AT MAXIMUM VOLUME“? :)

AVALIAÇÃO:

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