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[5 Indicações] Personagens homossexuais de HQs

[5 Indicações] Personagens homossexuais de HQs

Recentemente, o personagem Alan Scott, mais conhecido como o primeiro Lanterna Verde da DC Comics, teve sua sexualidade alterada no universo rebootado da editora. Essa mudança causou certa polêmica entre os fãs, pois (deixando os homofóbicos anencéfalos de lado, até porque convenhamos, considerar que homossexualidade é algo errado, muda caráter ou causa alguma má influência é coisa de quem ainda vive no século 18.), isso acabou modificando um fato importante do personagem; a menos que Alan tenha uma recaída heterossexual, adote, ou procure alguém somente para procriar, seus filhos Obsidian e Jade deixaram de existir. Obsidian é um dos personagens homossexuais mais importantes dos quadrinhos e é injusto que tudo que tenha sido tão revolucionário e ousado (de forma positiva) neste personagem tenha sido transferido para seu pai neste novo universo, que não tem agradado a grande maioria dos fãs. Decidi então compilar os cinco mais importantes personagens masculinos homossexuais de histórias em quadrinhos mainstream de super heróis.


5. PIED PIPER (The Flash)

Esse personagem não é tão conhecido como os outros listados, mas não deixa de ter grande importância. Pied Piper (Hartley Rathaway), ou o Flautista, como é chamado no Brasil, foi criado em 1959 por John Broome e Carmine Infantino, como um antagonista do Flash (o segundo, Barry Allen). Após o primeiro reboot da DC Comics em 1986, Piper não só deixou de ser um vilão para tornar-se um herói e aliado do terceiro Flash (Wally West), como também tornou-se um dos primeiros personagens homossexuais assumido dos quadrinhos em geral, fato que causou maior importância e relevância ao personagem.

Enquanto o editor Jim Shooter vetava completamente homossexuais nas histórias da Marvel durante os anos 80, Pied Piper assumia-se como um dos primeiros heróis gays de HQs mainstream. No segundo reboot (intitulado The New 52), em 2011, ele tornou-se um condutor de orquestra e atualmente namora o policial David Singh, chefe de Barry Allen.


4. RICTOR & SHATTERSTAR (X-Factor, X-Force, X-Men)

Na verdade o personagem Shatterstar é bissexual, mas esse casal divide o quarto lugar nesse top 5, pois é impossível falar de um sem falar de outro. O mexicano Rictor (Julio Esteban Richter) foi criado pelo casal Louise e Walt Simonson no final dos anos 80, nas páginas da extinta revista X-Factor, ainda na primeira formação do time, que contava com os cinco X-Men originais ajudando jovens mitantes. Logo ele tornou-se integrante dos Novos Mutantes, mas saiu após a equipe começar a ser comandada por Cable, retornando somente algum tempo depois, quando a equipe se tornou X-Force. Shatterstar foi seu substituto na equipe, criado pelo infame Rob Liefeld exatamente uma edição após a saída de Rictor. Originalmente, o guerreiro Gaveedra-Seven seria o filho de Dazzler (Cristal, no Brasil) e Longshot, que veio do planeta Mojoworld, um século do futuro, mas isso foi descartado em prol da origem de Cable, filho de Ciclope e Madelyne Pryor que foi para o futuro bebê e voltou adulto. Com o retorno de Rictor à X-Force, ambos tornaram-se muito próximos, principalmente quando o roteirista Jeph Loeb assumiu o título. Próximos até demais. Mas apesar de serem personagens importantes e com potencial, nunca tiveram seu potencial explorado e as dicas sutis de que ambos eram um casal foram descartadas com o tempo.

E assim como metade das equipes secundárias dos X-Men (X-Factor, X-Force, Generation X), ambos ficaram desaparecidos por um bom tempo entre o fim dos anos 90 até a metade dos anos 2000. Quando a revista X-Factor Investigations (uma das melhores revistas dos mutantes, na minha opinião) foi criada, Rictor e Shatterstar voltaram à ativa e “saíram do armário”, em uma memorável cena em que ambos se beijam apaixonadamente, cortesia do autor Peter David. Desde então, Rictor e Shatterstar tornaram-se ícones representantes de personagens homossexuais que fogem de qualquer estereótipo, em especial Shatterstar, outrora um guerreiro genérico Liefeldiano, agora um personagem de importância muito maior.


3. BRAIN & MONSIEUR MALLAH (DC Comics)

Não só esse é um importante casal gay, como também um dos mais diferentes da ficção. Como seu próprio nome diz, o vilão Brain é um cérebro, que utiliza um corpo robótico, quase sempre destruído em batalha (e sempre consertado misteriosamente depois). Seu maior parceiro, e também seu namorado, é o gorila falante e superintelectual Monsieur Mallah, criado e educado pelo próprio Brain. Criados nos anos 60 como vilões da equipe Doom Patrol (de onde X-Men bebeu muito da fonte), assumiram-se apaixonados um pelo outro em 1990, tornando-se alguns dos vilões gays mais conhecidos das comics, novamente quebrando qualquer estereótipo.

Infelizmente, ambos não tiveram um final muito feliz; em 2006, durante a minissérie Salvation Run, durante uma briga com o vilão Gorilla Grodd, Mallah foi assassinado. A arma utilizada para matá-lo foi o próprio Brain, que Grodd utilizou para espancá-lo até a morte, dessa forma matando a ambos. “Agora finalmente nós vamos poder ficar juntos para sempre” foram as últimas palavras proferidas por Mallah. Apesar de triste e trágica, a cena também serve como uma metáfora bem forte ao assassinato de vários casais gays que acontecem no mundo inteiro. Um alerta sutil da DC Comics, que sempre esteve a um passo a frente na luta contra o preconceito.


2. HULKLING & WICCAN (Young Avengers)

Ao contrário de todos os outros exemplos nesse post, Hulkling e Wiccan (Wiccano) não eram personagens que tiveram a sexualidade revelada com o tempo, já foram criados com suas sexualidades definidas em mente. Ambos os personagens foram criados por Allan Heinberg e Jim Cheung, como integrantes da nova equipe Young Avengers, formada por discípulos e jovens de poderes similares aos Avengers originais. Wiccan, codinome de William Kaplan, é tecnicamente filho de Scarlet Witch (Feiticeira Escarlate), pois a alma de um de seus filhos supostamente falecido ressuscitou nele, e Hulkling, codinome de Dorrek VIII, é um jovem kree-skrull (misto de duas raças alienígenas do Universo Marvel). Inicialmnete, a relação de ambos era apresentada de forma mais sutil, mas sempre deixando claro que havia algo mais entre eles. A sutileza foi deixada de lado não muito tempo depois, quando ambos assumiram a homossexualidade em uma entrevista, em Young Avengers Special. Alguns anos mais tarde, mais precisamente em 2010, Hulkling propôs Wiccan em casamento e um beijo entre ambos pode ser visto pela primeira vez. A relação dos jovens foi muito aclamada pelo público LGBT e por simpatizantes da causa, demonstrando o afeto entre dois jovens e deixando claro aos leitores que não há motivo para existir preconceito aos homossexuais.


1. NORTHSTAR (X-Men, Alpha Flight)

Provavelmente o herói homossexual mais conhecido das HQs, Northstar (Estrela Polar no Brasil), codinome de Jean-Paul Beaubier, surgiu em 1979, como integrante da Alpha Flight (Tropa Alfa; uma espécie de X-Men do Canadá), ao lado de sua irmã Aurora (Jeanne-Marie Beaubier). Antes dele, outros personagens de HQs de superheróis haviam assumido a homossexualidade, como é o caso de Pied Piper e dos vilões Brain e Monsieur Mallah, todos mencionados acima. Mas Northstar era certamente o mais high profile de todos eles, já que o jovem era parte integrante de uma equipe relativamente famosa e diversos autores consagrados do meio, como John Byrne, haviam escrito suas histórias. Inclusive, em meados de 1983, inicialmente Byrne não queria escrever histórias sobre a equipe pela falta de backstories e de personalidades interessantes. Portanto, o autor deu personalidades únicas a todos eles e tentou escrever o personagem como homossexual, dessa forma deixando-o mais característico, mas isso foi explicitamente vetado pelo editor da Marvel na época, Jim Shooter. Byrne se limitou às sutilezas, e quando o roteirista Bill Mantlo tentou fazer com que o personagem fosse portador de HIV, também foi vetado.

Somente nove anos após a ideia de Byrne, mais precisamente em 1992, o roteirista Scott Lobdell, trabalhando em uma Marvel mais liberal (e sem Jim Shooter, felizmente), fez com que Northstar assumisse, nas páginas de Alpha Flight, com todas as letras: “Eu sou gay”. Desde então, o personagem tornou-se muito mais proeminente nas histórias da editora, ganhou destaque na mídia e abriu as portas para a criação de outros heróis LGBT, assim como fazer com que outros saíssem do armário ou fossem reinventados como tais, como é o caso de Colossus, um dos mais importantes membros dos X-Men, reinventado como homossexual no universo Ultimate Marvel (mas não no universo 616, principal da Marvel, onde ele tem um romance duradouro com a heróina Shadowcat). Em 2012, Northstar tornou-se o primeiro superherói a se casar com seu namorado, o empresário Kyle.


Menção Honrosa
OBSIDIAN (DC Comics)

Como dito anteriormente, Obsidian (Manto Negro no Brasil, nome que perde o trocadilho de sua irmã gêmea, Jade, cujo nome também vem de um minério) é o filho de Alan Scott, o primeiro Green Lantern, com a vilã Thorn (Espinho). Todd James Rice foi criado em 1983, por Roy Thomas e Jerry Ordway. Ao lado de sua irmã (curiosidade: assim como Northstar, Obsidian possui uma irmã gêmea), fundou a equipe Infinity Inc, composta por filhos, netos e discípulos de membros da antiga Justice Society of America (Sociedade da Justiça). Um personagem complexo e interessante, que passou muito tempo lutando contra seus demonios interiores, Obsidian deixou sua homossexualidade implícita em 1996, durante um diálogo com seu amigo Nuklon, no qual ele diz que só ama duas pessoas: sua irmã e Nuklon. Ao ser questionado de sua homossexualidade por Neklon, Todd responde: “para que rotular?”.

Dez anos mais tarde, o personagem “saiu do armário” e passou a namorar o advogado Damon Matthews, parceiro da heroína Manhunter (Caçadora no Brasil). Até a última história do universo DC em que apareceu, Obsidian ainda formava um casal com Damon, e estava muito feliz com ele.

Quando o roteirista republicano Bill Willingham assumiu o título Justice Society of America, em 2010, muitos fãs temeram que a sexualidade de Obsidian, que integrava esta série na época, seria alterada novamente. Willingsham abordou esse receio com bom humor ao escrever esse personagem, fazendo uma piada com isso em uma determinada edição (e de certa forma quebrando a quarta parede), deixando os leitores aliviados. Porém, o personagem simplesmente desapareceu no reboot do universo, e com a revelação de que Alan Scott é homossexual, seu retorno parece cada vez mais improvável; não pelo fato de gays não poderem ter filhos (é um absurdo pensar dessa forma), mas porque o novo Alan Scott parece mais uma junção do antigo Scott com seu filho, dessa forma absorvendo ambos os personagens em um só. Uma pena.

 

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One Comment

  1. Maravilhosa compilação de personagens, cara! Estes são mesmos os mais importantes personagens gays masculinos dos quadrinhos.

    Um abraço!

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