[5 Indicações] Filmes sobre holocausto

2012 - dez Postado por Pietro Milan e Bruno Colli 1 comentário

Os horrores da Segunda Guerra Mundial foram relatados diversas vezes no cinema e das mais diversas formas. Seja através do ponto de vista de um soldado durante as infindáveis batalhas, ou através de um dos vários habitantes em campos de concentração, o conflito gerou marcas profundas na História. Mas diante de tantas obras existem certos filmes que se destacaram em relação aos outros em matéria de retratação do sofrimento humano durante o holocausto. Selecionamos aqui cinco dicas essenciais de filmes sobre esse trágico período.


DÉMANTY NOCI
Diamantes da Noite
(Jan Nemec, 1964)

Dois jovens judeus conseguem saltar de um trem em movimento que os levava para um campo de concentração na Alemanha. Após escapar dos soldados nazistas, continuam a correr pela floresta até serem vencidos pela fome, o frio e o cansaço. Denunciados por uma mulher, à qual haviam pedido um pouco de comida, são capturados por um grupo de velhos armados com fuzis de caça que sadicamente os impulsionam a novamente fugir, enquanto os mantém sob a mira de seus fuzis, transformando-os no alvo da caça. Praticamente sem diálogos, Démanty noci leva ao extremo a “nova narrativa” iniciada com a Nouvelle Vague francesa, criando múltiplas dimensões (a realidade objetiva, a memória, a imaginação). Jan Nemec faz uma estreia em grande estilo no cinema, às vezes beirando o formalismo frio, mas sempre denunciando de forma indireta tudo que, na guerra e na psicose militarista, mais degrada e humilha a condição humana.


SAMSON
Samson – A Força Contra o Mal
(Andrzej Wajda, 1961)

Samson é um ensaio pesicológico sobre o terror da impotência do holocausto e a necessidade renascer para sobreviver. Um jovem estudante judeu acidentalmente mata um colega durante uma briga e é preso. Solto no início da Segunda Guerra Mundial, é mais uma vez preso, desta vez no no ghetto de Varsóvia. Mais uma vez escapa, mas encontra no intolerante mundo dos nazistas sua verdadeira prisão.  O filme se aproxima da lenda bíblica de Sansão, mas se mostra como uma das melhores obras de Andrzej Wajda devido a suas sequências sobriamente documentais e menos barrocas como de costume. Um retrato de um herói atormentado pela impotência, pela sentença de morte coletiva, cujo único crime é a própria existência. Ótimas cenas que retratam o racismo na universidade, a vida na prisão e o ghetto de Varsóvia.


NUIT ET BROUILLARD
Noite e Neblina
(Alain Resnais, 1955)

Lançado em 1955, exatos dez anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Nuit et brouillard é dividido em dois segmentos, alternando entre passado e presente, e utilizando filmagens tanto em preto e branco quanto em cor. Na primeira parte, acompanhamos pessoas rumando aos campos de Auschwitz, enquanto o narrador Michel Bouquet descreve o crescimento da ideologia nazista. O filme prossegue demonstrando os prisioneiros passando fome e sofrendo nos campos de concentração, enquanto Bouquet narra o quanto estão sendo vítimas de torturas, experimentos e outros horrores. Em somente trinta e cinco minutos, Resnais choca, comove e surpreende demonstrando apenas a verdade, num dos trabalhos mais importantes do cineasta, que na época atuava como diretor de curtas e documentários; ele só estrearia nos longa metragens três anos depois, com Hiroshima Mon Amour, roteirizado pela lendária Marguerite Duras. O curta foi responsável por seu reconhecimento no cinema e não só demonstrou uma pequena parcela do talento de um dos melhores diretores conheceria futuramente, como também relatou brutalidades inesquecíveis através de técnicas cinematográficas surpreendentes. Uma abordagem sobre a dialética entre memória e esquecimento, entre a inevitabilidade de lembrar e a necessidade de esquecer.


OBCHOD NA KORZE
A Pequena Loja da Rua Principal
(Ján Kadár e Elmar Klos, 1965)

Dirigido na Eslováquia, na época pertencente à Tchecoslováquia, Obchod na Korze retrata a arianização durante a Segunda Guerra Mundial de forma pouco comum, através do ponto de vista de um pai de família eslovaco, Tóno, um carpenteiro que se vê obrigado a usurpar a loja de uma senhora judia, como uma preparação do que estaria por vir; o intuito era o de tomar todo seu negócio para si quando os judeus fossem enviados aos campos de trabalho. Porém, Tóno se afeiçoa pela idosa, que sofre de deficiência auditiva, e faz de tudo para escondê-la, ao mesmo tempo que tenta fazer com que ela nunca fique sequer sabendo do que está acontecendo com seu povo. Obchod foge do maniqueísmo unilateral tão típico de histórias como essa e retrata a relação entre ambos com um afeto bastante genuíno. O filme também quebra alguns padrões convencionais de narrativa, tão comuns nesse tipo de filme, ao introduzir cenas fantasiosas na imaginação do protagonista, aparentemente não relacionadas ao filme, mas que oferecem certa beleza num posto anteriormente ocupado por  tragédia.


L’ARMÉE DES OMBRES
O Exército das Sombras
(Jean-Pierre Melville, 1969)

Um dos líderes da Resistência Francesa é capturado e mandado para um campo de concentração. Durante sua transferência foge e se uni aos partidário, primeiro em Londres, depois na França. Adaptação de um romance de Joseph Kessel, o filme de Melville se mostra como uma forte, insólita, anti-tradicional e não demagoga obra sobre a Resistência, em uma atmosfera em que os trágicos casos individuais se refletem em um drama coletivo. Utilização de cores suaves, sempre com conotação psicológica, emprego do silêncio de modo sapiente e primeiros planos que isolam o indivíduo dão um toque especial de sofisticação que auxiliam no discurso. O tema central, sempre caro ao diretor, é um reflexão sobre as contradições dos serem humanos envolvidos nas ações.


Em breve faremos também uma série de indicações de filmes contendo temáticas similares, porém alternando o ponto de vista das vítimas do holocausto para os soldados durante os conflitos.