[Música] Elliott Smith

2012 - mar Postado por Pietro Milan e Bruno Colli 2 comentários

O post de hoje é uma colaboração de nosso amigo Renan Moraes, conhecido como @renanmoraes no Twitter, responsável por essa matéria e homenagem ao grande cantor Elliott Smith!


Vamos falar um pouquinho de Elliott Smith? Acho que a maioria dos leitores daqui já conhecem esse artista, que como poucos podemos chamar de gênio. Se você tem Elliott Smith aí no seu acervo musical, eu recomendo que escolha seu álbum predileto dele, coloque num volume que não atrapalhe sua leitura e comece a ler essa pequena contribuição sobre o Steven Paul Smith (nome de batismo de Elliott).

Elliott Smith é um dos poucos artistas que surgem raramente que são completos, conseguem ter uma voz linda, capaz de conquistar qualquer um, multi instrumentista (tocava guitarra, piano, clarinete, baixo, gaita e bateria) além é claro do violão, que era seu principal instrumento, tudo isso juntamente a ótimas letras, a maioria sobre sua vida conturbada, muitas vezes escritas sobre álcool, drogas e depressão, sendo esses alguns dos problemas que Elliott teve ao longo de sua vida, a partir dos 14 anos, quando ele começou a ter contato com o álcool e as drogas.

Nascido em 06 de agosto de 1969, na cidade de Omaha, Nebraska, começou cedo a aprender a tocar instrumentos, com 9 anos pra ser exato. Durante a escola participou de bandas como Strange Than Fiction, A Murder of Crows e The Greenhouse. Em 1991 formou uma banda mais expressiva em relação as outras, chamada Heatmiser, tendo lançado três álbuns com ela.

Seu primeiro álbum de carreira solo foi lançado em 1994, chamado Roman Candle, musicalmente bem diferente da banda Heatmiser, mostrando um som acústico, folk, com gravações lo-fi, que se tornou sua marca em seus trabalhos. No ano seguinte lançou o disco autointulado Elliott Smith, gravado praticamente só por ele mesmo.

Em 1996 ele gravou um curta apresentando algumas de suas canções, o Lucky Three: An Elliott Smith Portrait; vocês podem assistir no YouTube. 1997 foi o ano do Elliott ficar mais conhecido, com o álbum Either/Or, álbum que contém muitas músicas lembradas em trilhas sonoras, inclusive na do filme Good Will Hunting (Gênio Indomável), de Gus Van Sant, onde Elliott compôs a música Miss Misery e rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A cerimônia do Oscar foi no ano seguinte, mas infelizmente ele não faturou o Oscar, quem faturou foi My Heart Will Go On, interpretada por Celine Dion, do Titanic. Uma pena, mas nem sempre o Oscar é justo e Titanic levou quase tudo naquela ocasião, não é por menos. Mas valeu muito por sua apresentação usando um terno branco, emocionando a todos. Vocês podem assistir a apresentação no YouTube.

Elliott Smith foi dono de uma carreira genial, porém curta, lançou apenas 5 álbuns durante a vida (fora os citados anteriormente, XO de 1998 e Figure 8 de 2000), e mais 2 álbuns póstumos (From a Basement on the Hill de 2004 e New Moon de 2007). Seus dois últimos álbuns durante a vida foram mais bem produzidos, não tão “simples” como os primeiros, que eram mais acústicos e folk. Não que ele tenha perdido essa característica, mas percebemos algumas canções com uso de mais instrumentos. Isso não quer dizer que eles tenham mais qualidade, ou menos, pois eu acho seu trabalho genial do começo ao fim.

Em 2000 foi o ano dele lançar o álbum Figure 8, cuja capa se tornou símbolo entre seus fãs devido sua foto ter sido tirada em um memorial, localizado em Los Angeles. Até hoje é possível ver homenagens prestadas a ele, fãs tirando fotos segurando álbuns e pichações com mensagens dos fãs.

Elliott morreu no dia 21 de outubro de 2003, em Los Angeles, e até hoje gera uma certa discussão sobre como foi o modo que ele morreu. Foi constado como suicídio, mas alguns dizem que pode ter sido homicídio, pois ele foi encontrado com duas facadas no peito, após uma discussão com sua namorada da época, Jennifer Chiba. A história diz que eles discutiram e ele se trancou no banheiro, aí ela abriu a porta e tirou a faca e chamou a ambulância. História meio estranha, não acham? Suicidar com duas facadas? É de se lamentar, todos perdemos um gênio, que ao meu ver tinha muito o que oferecer, morrendo apenas com 34 anos. Algumas pessoas não nasceram pra entrar em relacionamentos.

Uma das minhas maiores decepções é nunca poder tido a chance de ver um show do Elliott ao vivo, pois era muito novo pra ter chance de ver algum show dele na época em que era vivo, e também pelo motivo que eu nem conhecia ainda seu trabalho. Elliott é meu artista favorito desde 2007. Na foto a seguir você pode conferir minha coleção, contendo os sete álbuns dele (clique para ampliar).

Elliott foi influenciado por Beatles, Bob Dylan, The Clash, Neil Young, Nico, The Saints e Television. E ao longo dos anos vem influenciando artistas como Bright Eyes, Bon Iver, Death Cab for Cutie, The Silent Years, Sufjan Stevens e deve influenciar muito mais ao longo dos anos.

Elliott Smith é isso, de forma bem reduzida pra não ficar enjoativa. É uma voz sensacional, letras carregadas e músicas que não dão pra enjoar. Se você não conhece, pode baixar, fica aí minha recomendação.