[Música] Álbuns interessantes de 2012: Parte III

2012 - ago Postado por Bruno Colli 1 comentário

Como é costumeiro no blog, esperamos por alguns lançamentos musicais interessantes do ano, não contando aqueles que fizemos análises maiores em posts separados, para compilá-los em um único post, apresentando os que valem a pena e podem despertar curiosidade. Até agora, 2012 está indo bem em matéria de música.


TWO DOOR CINEMA CLUB
Beacon

Dois anos após o lançamento de seu primeiro álbum, Tourist History, os irlandeses do Two Door Cinema Club lançaram o esperado segundo álbum, Beacon – ou melhor, lançarão apenas em setembro, mas o álbum já vazou na internet há um tempo. Porém, o resultado final não foi lá dos melhores. Aparentemente, a banda sofreu da famosa “síndrome do segundo álbum”, escrito às pressas e sem muita criatividade. Apesar de alguns bons momentos, como a faixa de abertura Next Year e o single Sleep Alone, Beacon é um álbum repetitivo e pouco marcante. O primeiro álbum do TDCC podia não ser uma obra prima, mas possuía hits bem grudentos e facilmente cantáveis, como Something Good Can Work (que até ganhou uma versão tecnobrega feita pela infame Banda Uó), Do You Want It All?, e Cigarettes in the Theatre. Já em Beacon é difícil se lembrar de alguma faixa após a primeira escutada.

Sleep Alone

Mas algumas mudanças foram positivas: alguns elementos de synthpop foram incluídos nas faixas (bem mais no que no álbum anterior), e se a banda seguir o caminho correto no terceiro álbum e incrementar tal sonoridade, podemos esperar por um resultado ainda melhor do que Tourist History. O que também colabora para uma desvantagem é o fato de Beacon ser produzido por Jacknife Lee, uma grande desvantagem, considerando seu péssimo histórico de arruinar canções boas com sua produção megaexagerada e mal trabalhada. Apesar de tudo, Beacon não é um álbum tão ruim. Pode servir como música de fundo para os entediados, e algumas de suas faixas, como as citadas anteriormente, podem ser tocadas em festas sem problemas. Porém, Beacon simplesmente não tem nada de novo a oferecer e passará batido para o ouvinte logo após seus 40 minutos de duração.


CHROMATICS
Kill For Love

Quase cinco anos após o lançamento de Night Drive, o quarteto americano que mescla o synthpop atual com sonoridade do italo disco setentista lançou seu quarto álbum de estúdio com bastante vigor. Kill For Love abre com um simpático cover da famosa Hey Hey, My My (Into the Black), de Neil Young, inspirando-se em sua versão acústica My My, Hey Hey (Out of the Blue). As outras faixas de Kill For Love variam entre dançantes e calmas, mas sempre carregando um sentimento de solidão e melancolia mesmo nas faixas mais animadas. É a trilha sonora perfeita para uma viagem noturna (assim como o apropriadamente intitulado Night Drive também o era). O álbum foi muito bem recebido pela crítica especializada e é o mais elogiado do Chromatics desde a formação da banda em 2001.

Lady

Kill For Love

Por outro lado, algumas faixas são desnecessariamente longas. Algumas chegam a durar oito minutos de duração, mas sem apresentar nenhuma variação musical significante durante todo esse tempo. Isso certamente impede que o álbum seja melhor avaliado, já que pode acabar se tornando cansativo. Mesmo assim, Kill For Love é um álbum muito simpático e um bom retorno para o Chromatics. Destaques para as faixas Lady, Kill For Love, Into the Black e Birds of Paradise.


MAGIC WANDS
Aloha Moon

A dupla do Tennessee, que cosutma definir seu gênero musical como lovewave/edgy-pop, já havia lançado um single em 2008 e um EP em 2009, mas desde então não falaram muito sobre um álbum inteiro. Em 2012, finalmente estrearam com um álbum completo, Aloha Moon. Todas as canções lançadas anteriormente foram regravadas para o lançamento, com exceção da ótima Starships, que certamente faz falta aqui. A faixa título de Aloha Moon é um bom ponto de partida para o álbum, bastante dreamy, remetendo um pouco aos trabalhos das bandas Beach House e The xx. Já a faixa seguinte, Teenage Love, soa inferior à versão original, parecendo uma tentativa desesperada de ser um hit pop com uma produção mais clean e menos apropriada.

Warrior (2009 Version)

Space

O álbum segue entre alguns altos e baixos, e a maioria das regravações soam inferiores às versões originais, em especial Warrior, uma das melhores canções antigas da dupla, cuja versão do álbum faz parecer um outtake de um álbum do The Ting Tings ou algo do tipo. A bonus track Heartbreak Swirl é mais empolgante do que essas regravações. Aloha Moon é um álbum interessante de seu gênero. Diferente da maioria das bandas genéricas do gênero que querem ser o novo Beach House e ídolos hipsters que vem e vão, Magic Wands possui faixas realmente legais, que podem empolgar bastante.


MEMORYHOUSE
The Slideshow Effect

Decepcionante é a melhor palavra pra definir esse álbum. A dupla canadense estreou em 2010 com um ótimo EP, The Years. O lançamento desse EP criou várias expectativas em torno de um álbum completo, seguindo o mesmo padrão, que só veio em 2012. The Slideshow Effect não é totalmente ruim, mas acabou sendo mais um lançamento genérico e que provavelmente passará batido. O nome Memoryhouse foi tirado de um álbum do compositor Max Richter, portanto, deveriam honrar o trabalho desse grande músico com um álbum inspirado e com boas canções.

The Kids Were Wrong

Heirloom

É possível apreciar The Slideshow Effect de uma melhor forma escutando as canções separadamente, pois isoladas algumas delas são interessantes. Mas como um álbum inteiro, simplesmente não funciona. É uma pena, pois a voz de Denise Nouvion é encantadora e se encaixaria muito bem em melodias superiores. Se durarem até o segundo álbum, torceremos para que Evan Abeele e Denise estejam mais inspirados. Destaque para as poucas faixas boas ou não tão passáveis: The Kids Were Wrong, All Our Wonder, Kinds of Light e Punctum. Eu também recomendaria Heirloom, mas a regravação da ótima e dramática canção de 2010 ficou muito aquém da original.


GARBAGE
Not Your Kind of People

Após quatro anos sem nenhuma música inédita (e sete sem álbum novo), o Garbage retornou em 2012 com seu quinto álbum de estúdio. Durante esse longo intervalo, a banda chegou a encerrar atividades por alguns anos, e a vocalista Shirley Manson dedicou-se a outros projetos, como um álbum solo (que nunca chegou a ser concretizado) e sua primeira experiência como atriz na série Terminator: The Sarah Connor Chronicles, no papel da vilã T-1001, onde também colaborou com uma faixa para a trilha sonora.

Blood For Poppies

Not Your Kind of People prova que o som do Garbage não envelheceu. As comparações com a banda Curve continuam sendo inevitáveis, ao mesmo tempo que assumiu uma identidade mais própria, mesmo que o modelo padrão das canções da banda esteja intacto. Por outro lado, o álbum também soa como “mais do mesmo” – para quem está acostumado com álbuns como Garbage (1995) e Version 2.0 (1998) vai notar que a fórmula é exatamente a mesma, sem grandes mudanças, o que ao mesmo tempo é bom e ruim. Bom pois o álbum é bem coeso e com poucos momentos fracos, ruim porque depois de sete anos de espera o mínimo que se esperava fosse uma reformulação na sonoridade. O resultado final de Not Your Kind of People é um álbum melhor que Bleed Like Me (2005), e bastante agradável de se ouvir, mas ao terminarmos de ouvir fica a sensação de que faltou algo. Os maiores destaques são as faixas I Hate Love, Blood for Poppies, Big Bright World, Control e Battle in Me.


WILD NOTHING
Nocturne

Esse álbum também não saiu oficialmente até a data dessa postagem, mas já pode ser ouvido por “outros meios”. Nocturne é o segundo álbum do Wild Nothing, a banda-de-um-homem-só do músico Jack Tatum, iniciada em 2009. Seu primeiro álbum, Gemini, de 2010, apresentava um dream pop muito agradável e simpático, podendo ser considerado um dos melhores álbuns de 2010 por sua coesão e simplicidade. Porém, Gemini também deixou o receio de que o segundo álbum não seria tão bom quanto o primeiro. E é essa a grande surpresa de Nocturne, que segue basicamente a mesma fórmula do primeiro álbum, mas com melodias ainda mais singelas e memoráveis.

Shadow
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A inspiração em bandas como Slowdive e Lush ficou bastante clara em Gemini, mas aqui Tatum também deixa claras outras influências, como a new wave dos anos 80 e o ambient dos primeiros álbuns de Brian Eno. Assim como o antecessor, Nocturne não possui nenhuma faixa que pode ser considerada fraca ou filler. Mesmo as canções mais longas, como a faixa título e a bela Paradise, ambas durando cerca de cinco minutos e meio, não soam arrastadas e podem ficar bastante tempo no repeat. Talvez seu maior defeito seja a grande semelhança entre algumas faixas, Possivelmente um dos melhores álbuns de 2010 até o momento, além de ser uma verdadeira prova de que o Wild Nothing veio para ficar, superando-se no normalmente difícil segundo álbum. Os maiores destaques são as faixas Shadow, Midnight Song, Nocturne, Counting Days e Rheya.


YEASAYER
Fragrant World

Após o bem sucedido Odd Blood, lançado em 2010, o Yeasayer chega ao seu terceiro álbum de estúdio, Fragrant World, com uma capa bem exótica, como de costume da banda. E assim como o anterior, não chega nem perto de superar All Hour Cymbals, o primeiro e melhor álbum do grupo, lançado em 2007. Pelo contrário, Fragrant World parece ser um passo para trás; ao invés de mesclar a psicodelia do primeiro álbum com os experimentos dançantes do segundo, a sonoridade é uma tentativa desesperada de soar mais pop e acessível, com melodias genéricas e que poderiam ser feitas por qualquer banda, apenas adicionando um pouco de barulho desnecessário. O ápice disso é Devil and the Deed, que parece um outtake muito ruim do pior álbum de Justin Timberlake. Folk Hero Shtick é provavelmente a canção mais bizarra que o Yeasayer já lançou em toda sua vida, e não de um jeito bom.

Henrietta

Longevity

Mas o álbum tem seus momentos, como é o caso da ótima faixa de abertura Fingers Never Bleed e o single Henrietta, que demorei um pouco para gostar; é o que chamo de canção grower, pois é difícil gostar logo de cara e cresce aos poucos no ouvinte. A segunda faixa, Longevity, também é muito boa e ambas dão a impressão de que o melhor álbum do Yeasayer está por vir. Pena que não é o caso. O restante do álbum varia de “ok” a “fraco” e poderia ter pelo menos quatro de suas faixas cortadas. É uma pena que a banda não consiga fazer álbuns muito consistentes, mas pelo menos sabemos que seus singles serão ótimos.


AIMEE MANN
Charmer

Mesmo que ela nunca tenha sido tão legal quanto foi no ‘Til Tuesday em sua carreira solo, Aimee Mann tem uma discografia bastante consistente, sem nenhum álbum realmente fraco. O problema é que a maioria deles são bastante… iguais. Tanto na estrutura musical quanto no conteúdo lírico. Com Charmer, seu primeiro álbum desde Fucking Smilers, de 2008, a cantora experimenta com o rock setentista e o pop psicodélico da época – conforme indicado na prórpia capa. Este também é um caso de álbum que vazou muito antes de seu lançamento, pois Charmer só será lançado em setembro deste ano, mas já pode ser baixado por aí.

Charmer

Living a Lie

Charmer é um álbum simpático e coeso, de instrumentação diversa (com direito a teclados que remetem à sonoridade do ‘Til Tuesday) e como de costume nos álbuns solo da cantora, conta com um dueto com outro cantor, no caso James Mercer, vocalista do The Shins e do Broken Bells, na ótima Living a Lie. Não é um de seus melhores álbuns já feitos, já que ele enfraquece em vários momentos. Mas ainda assim, é recomendado para fãs da cantora e também para aqueles que ainda não conhecem seu trabalho.


2:54
2:54

Simpática banda britânica de dream pop formada pelas irmãs Colette e Hannah Thurlow, fizeram um bom trabalho com o primeiro álbum, o autointitulado 2:54. Explicitamente inspiradas em bandas como Curve e Lush, algumas das melhores bandas de dream pop e shoegaze que já existiram, as meninas fizeram um trabalho que mescla a sensualidade e a dor, o dançante e o barulhento, seguindo os passos de seus predecessores e estreando com um álbum feito com explícita força de vontade e amor pelo que estavam fazendo.

Creeping

Scarlet

2:54 apenas não recebe uma nota maior pois apesar de ter ótimos singles e ser bem consistente ao todo, possui algumas faixas que não chamam tanto a atenção, ou que poderiam ser encurtadas. Mas o potencial da banda é inegável, e mesmo que não seja o melhor álbum do ano ou não seja exaamente inovador, 2:54 é um álbum muito bom e apresenta a banda como deveria. Recomendado para todos que apreciem os gêneros mencionados e suas influências. Destaque para as faixas Revolving, You’re Early, Scarlet e Creeping.

 


SAINT ETIENNE
Words and Music

2012 marcarou grandes retornos ao mundo da música: Fiona Apple, Garbage, No Doubt, e a banda pop mais desconhecida do Reino Unido, Saint Etienne. Eles já trabalharam com diversos nomes consagrados e dos mais diversos gêneros, de Kylie Minogue a Marc Almond, passando por Etienne Daho e Tim Burgess, vocalista do The Charlatans. A sonoridade do grupo, formado por Sarah Cracknell (que também já lançou álbum solo), Bob Stanley e Pete Wiggs, mescla batidas dançantes com trilhas sonoras sessentistas, samplings e italo disco. Isso resulta em uma identidade musical muito interessante, porém, acessível demais para o underground e experimental demais para o mainstream.

Tonight

I’ve Got Your Music

Words and Music by Saint Etienne é o primeiro álbum do trio desde o conceitual Tales From Turnpike House, de 2005 (na verdade desde Foxbase Beta, de 2009, mas como este é apenas uma re-produção/remix do primeiro álbum da banda, não conta muito), e pode ser considerado um de seus melhores álbuns desde… bom, desde sempre, pois é impossível dizer um álbum do Saint Etienne que seja ruim. A belíssima I’ve Got Your Music é o single principal do álbum, e apresenta com maestria o que vem por aí. Outras canções chegam a remeter trabalhos anteriores da banda, como é o caso de DJ, que parece uma singela homenagem à Like a Motorway, de 1994. Um dos melhores álbuns de 2012 e também um grande retorno do Saint Etienne. Destaque para as faixas Tonight, The Last Day of Disco, I’ve Got Your Music, DJ e Haunted Jukebox.


SPIRITUALIZED
Sweet Heart Sweet Light


Jason Pierce
é, talvez, uma das pessoas mais tristes do mundo. Mas ele mescla essa tristeza com seu talento como poucos conseguem. Com seu projeto Spiritualized, ele lançou um dos melhores álbuns dos anos 90, Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space, e também um dos mais pesados e melancólicos que já ouvi. Todo álbum que Pierce lançou depois foi inevitavelmente comparado à essa obra prima da música. Sweet Heart Sweet Light não é exceção, mas evitarei citar frases como “não é tão bom quanto Ladies” e analisá-lo como uma obra separado. Afinal de contas, por melhor que Ladies seja, não dá para resumir toda a obra de Jason, que dura desde a ótima Spacemen 3, em um único álbum.

Hey Jane

Little Girl

Por outro lado, devo ressaltar que Sweet Heart Sweet Light supera os antecessores Amazing Grace, de 2003, e Songs in A&E, de 2008, que eu gostei muito. As canções não são tão depressivas como de costume, mas há uma amargura bem presente em todas as letras, melodias carregadas de sentimento, mas abandonando totalmente a fragilidade dos álbuns anteriores. Apesar do álbum não possuir um conceito, ele nos apresenta uma grande e encantadora superação pessoal. Um dos melhores do ano, sem sombra de dúvidas. Curiosidade: o álbum se chamaria “Huh?“, pois Pierce estava sofrendo de uma doença no fígado e o título era uma analogia aos efeitos que os medicamentos que estava tomando na época o causavam. Destaques para as faixas Hey Jane, Little Girl, I Am What I Am e So Long You Pretty Thing.


KILLING JOKE
MMXII

Killing Joke é um ótimo exemplo de banda super influente que deveria ganhar mais reconhecimento. A banda de Jaz Coleman e Geordie Walker, únicos integrantes presentes desde seu início, formou-se em 1978 e desde então colaboraram imensamente com a formação do synthpop oitentista, e principalmente, do rock industrial. De fato, bandas como Nine Inch Nails e Ministry não teriam a sonoridade que adquiriram com o tempo, se não fosse a influência do Killing Joke, que já foi chamado pelo crítico Simon Reynolds (não confundir com o integrante do Cocteau Twins) como “uma versão heavy metal do pós-punk”. Uma banda tão diversa e única que influenciou músicos de outros gêneros (como é o caso de Kurt Cobain, do Nirvana, que copiou descaradamente o riff inicial de Eighties em sua canção Come as You Are) e até outros meios de mídia (adivinhem de onde o título de Batman: The Killing Joke, escrito por Alan Moore, teve inspiração?).

In Cythera

Pole Shift

A banda acabou em 1996, mas felizmente retornou à ativa em 2002 e não parou desde então. MMXII é um exemplo perfeito de uma banda que envelheceu muito bem, se adequou às influências, aos influenciados e à nova era da música. Um exemplo de carreira e de criatividade. Pesado, apocalíptico, paranoico, carniceiro… e com uma pequena ponta de esperança. São alguns dos melhores adjetivos para descrever este, que é um dos melhores álbuns do ano, e arrisco dizer, um dos melhores do Killing Joke. Destaque para as faixas In Cythera (uma das poucas canções otimistas de MMXII), Pole Shift, Trance e Rapture.


LIARS
WIXIW

Os novaiorquinos mentirosos (e ensandecidos) chegam ao sexto álbum, WIXIW, escrito durante um período em que o trio queria, segundo eles mesmos, “se livrar de coisas estranhas”. Conhecidos por reinventarem a sonoridade em todos seus álbuns novos, desta vez não foi diferente; anteriormente conhecidos por suas canções experimentais e pouco acessíveis, aqui ocorre justamente o oposto, onde as canções possuem grande influência eletrônica e dançante, além de um apelo maior à acessibilidade.

No. 1 Against the Rush

Brats

Infelizmente, o resultado não foi exatamente muito grandioso. Apesar de algumas faixas boas, pode se dizer que o Liars deixou sua identidade de lado, dessa forma fazendo com que WIXIW seja apenas mais um álbum entre tantos outros. Mesmo que a sonoridade dos álbuns anteriores estivesse sempre mudando, sempre foi possível reconhecer como um álbum do Liars, algo que não ocorre aqui. Aqueles acostumados com os álbuns experimentais provavelmente torcerão o nariz, enquanto quem não está acostumado não vai ter uma opinião muito mais forte do que “um álbum legal”. É um bom álbum, apenas não traz exatamente nada de novo. Destaque para as faixas Nº 1 Against the Rush, Brats, Octagon e WIXIW.


SWANS
The Seer

O projeto musical de Michael Gira nunca deixou de surpreender e influenciar desde seu início, em 1982. Experimentando diversos gêneros e criando uma instrumentação única em todos seus álbuns, Swans sempre foi um exemplo de banda criativa e inovadora. Em 1996, após quinze anos de carreira, o projeto havia chegado ao fim. Jarboe, uma das vocalistas da bandas, seguiu carreira solo, enquanto Gira seguiu com seu projeto Angels of Light, apresentando uma sonoridade muito mais acústica e acessível. Mas em 2009, o projeto acabou e Gira anunciou o retorno de sua mais famosa e influente banda. O resultado foi o excelente My Father Will Guide Me up a Rope to the Sky, de 2010. Em 2012, foi anunciado o segundo álbum pós retorno: The Seer.

Lunacy

Mother of the World

O retorno de bandas antigas sempre deixou os fãs receosos pela qualidade musical, mas o Swans apenas evoluiu, e parece nunca ter acabado durante um período. Portanto, o que esperar deste álbum? My Father, embora um retorno considerável, era minimalista e possuía várias diferenças em relação aos álbuns anteriores, tanto que recebeu uma versão acústica chamada I Am Not Insane. Já com The Seer, que apesar de soar tão diferente do Swans clássico ainda soa como uma grande evolução da mesma banda, isso seria impossível, por ser o completo oposto. Um álbum apocalíptico, brutal, e majestoso, descrito por Gira como “o trabalho de sua vida” e que demorou trinta anos para ser feito – exatamente o mesmo tempo de carreira de Gira. Alguns demos do álbum foram inclusos no álbum live We Rose from Your Bed with the Sun in Our Head, lançado em maio deste ano, mas o resultado final é absurdamente superior.

93 Ave. B Blues

Song For a Warrior

É como se todos os trabalhos anteriores do Swans houvessem culminado nesse álbum, que conta com as participações de Karen OAlan Sparhawk e Mimi Parker do Low, membros do Akron/Family, Grasshopper do Mercury Rev, Ben Frost e a ex-vocalista Jarboe, pode ser tratado como o trabalho de sua vida. Nem mesmo as faixas de 32 minutos de duração são capazes de cansar o ouvinte, que pode se surpreender – e se espantar – a cada minuto. O melhor álbum do ano, sem sombra de dúvidas, e possivelmente o melhor de toda a carreira do Swans. E isso porque nem foi lançado ainda; o lançamento oficial de The Seer só ocorrerá no dia 28 de agosto. Felizmente, vazou na internet antes do lançamento, portanto todos podem apreciar esta magnífica obra. Além disso, farei questão de comprá-lo e incluí-lo na minha coleção de discos realmente muito bons. Destaques: o álbum inteiro!