[Jogo] Dragon Age: Origins

2012 - mai Postado por Bruno Colli 1 comentário

Criada em 2009 pela BioWare, a saga Dragon Age tornou-se um enorme sucesso entre fãs de cenários medievais e de fantasia, expandindo-se para uma das séries de RPG ocidental mais famosas dos últimos tempos; desde a estreia do primeiro jogo, a franquia expandiu-se em DLCs, expansões, sequências, livros, animes, jogos em redes sociais como o Facebook, sistema de RPG de mesa, comics e uma websérie. O jogo avaliado hoje será o que iniciou tudo isso, Dragon Age: Origins.

Dragon Age: Origins conta a história do seu personagem da forma que o jogador desejar. A frase é muito vaga, mas resume, de forma básica, o que o jogador é capaz de fazer; construir um personagem com seis tipos de histórias pré-definidas, dependendo de sua classe ou raça, e a desenvolve de acordo com sua própria vontade, seja transformando o personagem em um paladino da justiça ou um antiherói violento e homicida, e qualquer meio termo entre um destes extremos.


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Assim como diversos RPGs ocidentais, como Fallout e The Elder Scrolls, existem diversas opções para a aparência de seu protagonista, podendo fazer com que ele seja muito bonito…


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…ou muito feio.


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Após uma série de tragédias envolvendo o seu herói, a história toma um rumo mais linear, onde ele se torna um dos Grey Wardens, guerreiros responsáveis pela guarda do Rei Cailan e cujo objetivo é proteger o mundo de bestas conhecidas como darkspawn. Depois de poucas horas iniciais do jogo é que podemos explorar mais livremente o mundo de Dragon Age: Origins, que diferente da série The Elder Scrolls, é um RPG mais tradicional e menos livre, onde é possível completar quests e tomar inúmeros rumos diferentes na história, mas a exploração é mais restrita. Além disso, diferente de Elder Scrolls, onde as companhias são temporárias e/ou não controláveis, é possível ter até quatro pessoas em seu grupo, com integrantes (chamados de Companions) que podem se juntar à causa (ou não) do protagonista no decorrer do jogo.


Clique para ampliar e clique aqui para ver a tela com o personagem secreto (SPOILERS!)

O jovem e ingênuo Grey Warden Alistair é o primeiro integrante fixo que encontramos no jogo, mas depois dele também é possível recrutar a bruxa Morrigan (que entra na equipe imediatamente após as quests iniciais) e diversos outros opcionais, como a menestrel Leliana, a maga Wynne, o elfo Zevran, o fiel mabari (espécie fictícia de cachorro em Dragon Age) Rabbit (nome personalizável, e também a primeira companhia caso o personagem seja um Human Noble), o guerreiro qunari (outra raça fictícia) Sten, o anão Oghren e a golem Shale (disponível em uma quest exclusiva do DLC, mas jogável durante todo o jogo normal após ser recrutada). Todas as companhias, com exceção de Alistair, podem ser demitidas a qualquer momento, mas é altamente recomendável que todos sejam mantidos na equipe, pois todos possuem características únicas e úteis no decorrer do jogo. Há também um personagem secreto recrutável, mas não direi seu nome para evitar spoilers. A expansão/pseudo-sequência Awakening apresenta novos personagens, porém isso fica para um possível futuro post.


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Além disso, há um sistema de aprovação/reprovação dos personagens, onde dependendo das atitudes do protagonista, ou do que o jogador escolhe para ser dito para uma companhia, pode passar a gostar mais, se magoar, odiar ou até se apaixonar pelo protagonista (como é o caso de Alistair, Leliana, Morrigan e Zevran; Leliana e Morrigan também podem namorar uma personagem feminina e Zevran um masculino, mas Alistair também pode ter romances com um personagem masculino caso um pequeno patch seja instalado). Caso tenham amizade o suficiente com seu personagem, as companhias também podem ensinar suas classes exclusivas para o jogador. E lembre-se: o que pode agradar um personagem também pode desagradar outro, principalmente em um time formado por tantas pessoas distintas, portanto escolha bem sua equipe antes de tomar certas decisões!


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Como pode ser visto com as imagens neste post, os gráficos são belos e detalhados, principalmente no computador, onde podemos ativar diversas melhorias visuais. A jogabilidade é complexa e há muito a ser descoberto em seus menus, mas o jogo não funcionaria de outra forma. As legendas no início da tela parecem (e são) bem confusas, mas o jogador pode se acostumar aos poucos – ou instalar uma modificação que altera a posição das legendas (como eu fiz). Há um modo de câmera que deixa o jogo parecido com os jogos da série Baldur’s Gate, antecessora de Dragon Age, considerado por muitos um “sucessor espiritual” da antiga franquia.


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E para os mais pervertidos, há a possibilidade de fazer sexo no jogo, seja com seu parceiro romântico, num bordel ou um ménage a trois em um determinado ponto da história. Criar a possibilidade do protagonista ter um romance com alguém ou fazer sexo é uma característica marcante dos jogos da BioWare, e isso causou muita polêmica entre os mais conservadores. Eu particularmente acho que isso ajuda a humanizar seu personagem, deixando a parede entre o jogador e sua criação bem mais fina, tornando isso uma experiência inovadora e interessante; não vejo motivo para a polêmica, afinal, Dragon Age: Origins possui censura para maiores de 17/18 anos, e se tais cenas não causam tanto problema em filmes ou mesmo na televisão, não vejo problema algum se o mesmo acontece em jogos. É melhor do que violência descerebrada que muitas vezes passa batido.


Clique para ampliar, mas não pense que a imagem não terá censura

Infelizmente a versão para computadores não possui suporte a nenhum tipo de joystick, mas depois de algum tempo jogando, vemos que tal ausência não faz tanta falta, já que a acessibilidade dos menus e dos comandos de ataque é rápida e prática. Além disso, as versões de PlayStation 3 e Xbox 360 possuem alguns bugs inexistentes nas versões para computadores, e jogar num PC ou num Mac é a única forma de instalar modificações (muitas vezes necessárias e divertidas), portanto são as plataformas que eu mais recomendo.


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Não seria exagero dizer que Dragon Age é quase um Mass Effect medieval e segue muitos padrões introduzidos nas franquias da BioWare. A história rica, detalhada e repleta de reviravoltas pode surpreender o jogador a cada instante, tornando-o cada vez mais ansioso para tomar suas próprias decisões ou até mesmo voltar em pontos anteriores no jogo diversas vezes apenas para ver os diferentes resultados de suas atitudes. Um dos melhores jogos do nosso tempo e um ótimo exemplo de RPG ocidental que deu certo; uma pena que a sequência, Dragon Age II, não tenha seguido o mesmo caminho, optando por um estilo mais voltado à ação descerebrada. A BioWare provavelmente aprendeu sua lição após tantas críticas dos fãs, e agora resta esperar que Dragon Age III retome tudo o que tornou Origins um grande sucesso e transforme a futura continuação em uma experiência tão única quanto o primeiro.

AVALIAÇÃO: