[Filme] Take Shelter
Segundo longa metragem do diretor norte americano Jeff Nichols, Take Shelter (anunciado como O Abrigo no Brasil) conta com a presença dos atores Michael Shannon (que havia trabalhado com o diretor anteriormente em seu primeiro longa, Shotgun Stories) e Jessica Chastain. O filme, cujo roteiro foi escrito pelo próprio Nichols, conta a história de um pai de família, que vê sua vida desmoronar aos poucos após uma série de sonhos e visões apocalípticas.


Em uma pequena cidade em Ohio, o casal LaForche parece levar uma vida tranquila, cuja única preocupação é a deficiência na fala da filha, Hannah (Tova Stewart). Porém, Curtis (Shannon) passa a ter sonhos macabros e surreais, que se tornam cada vez mais assustadores e violentos, que acabam afetando na sua vida, fazendo com que ele fique psicologicamente abalado e até mesmo sinta dores físicas. Ele não conta nenhum de seus sonhos para sua esposa, Samantha (Chastain), e procura ajuda psicológica em segredo. A mãe de Curtis é esquizofrênica e ele teme ser diagnosticado com a mesma doença; porém, ao mesmo tempo, seu maior temor é que seus pesadelos se concretizem e uma tempestade, como a de seus sonhos, seja responsável pelo fim do mundo. Para prevenir sua família de sofrer esse destino, ele decide construir um abrigo no quintal de sua casa, para protegê-los do que está por vir.

Take Shelter chegou a mim como uma total surpresa; o Fábio, d’O Blog do Pé Quebrado, havia dito que assistiu o filme sem esperar absolutamente nada e nem saber do que se tratava, e me recomendou fazer o mesmo. Assisti com o Pietro seguindo a recomendação. E me surpreendi positivamente ao me deparar com um suspense bem dirigido, de ótimas atuações, que mantém a tensão e o drama na medida certa do início ao fim.

A inspiração óbvia nos filmes de Alfred Hitchcock está presente em toda sua duração, mas isso não quer dizer de forma alguma que Take Shelter não seja um filme original. O filme aborda o tema da esquizofrenia de forma sensata e madura, longe de ser caricata, diferente de tantos outros filmes. Michael Shannon e Jessica Chastain estão ótimos em seus papeis, em especial Michael, que emociona e revolta ao mesmo tempo com seu perturbado personagem, que acredita estar certo sobre o futuro do planeta e se destrói a cada um de seus aterrorizantes sonhos. Jessica também não fica atrás com a mãe superprotetora e esposa devota e preocupada, mas que jamais confunde isso com submissão e faz o que pode para ajudar seu marido. Nos quesitos técnicos, Take Shelter também não faz feio, em especial em sua fotografia, escura e sombria, combinando muito com o clima melancólico e aflito do filme.

Porém, um dos maiores defeitos do filme é que não podemos chegar a muitas conclusões se depender de seu roteiro. Os elementos principais de Take Shelter são deixados para livre interpretação do espectador, o que não é ruim, mas um pouco de desenvolvimento nesse quesito facilitaria nossa tarefa ao tirar nossas próprias conclusões. Afinal, é um pouco difícil simpatizar com um personagem se não sabemos o que ele realmente é. Mas isso não tira os méritos de Take Shelter, que cumpre seu papel como um dos melhores filmes de suspense de 2011.

Take Shelter foi completamente ignorado pela Academia e não recebeu uma indicação sequer para o Oscar. Pelo menos o filme liderou as indicações no Spirit Awards, considerado o Oscar dos filmes independentes. No Brasil, sua estreia estava prevista para o dia 4 de janeiro de 2012, mas a data foi adiada por sua distribuidora e até o momento dessa postagem não possuía uma nova data definida.

AVALIAÇÃO:
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