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[Filme] Prometheus

[Filme] Prometheus

O mais recente filme de Ridley Scott causou grandes expectativas aos fãs dos trabalhos do diretor, consagrado por clássicos como Blade Runner, Thelma & Louise, e Alien. Prometheus é uma espécie de prólogo desse último, passando-se antes do primeiro filme da franquia, cujo último filme (não contando os terríveis Alien vs. Predator) foi o deprimente Resurrection, em 1997. Apesar de renomado, a carreira diretorial de Scott andava meio em baixo nos últimos anos; seus filmes mais recentes, como Robin Hood, Body of Lies (Rede de Mentiras), A Good Year (Um Bom Ano) receberam inúmeras críticas negativas, e com exceção de Robin Hood, não foram exatamente grandes sucessos comerciais. Com Prometheus, a carreira de Scott prometia (trocadilho não intencional, afinal, a piada do “prometheus e não cumprius” não tem graça desde o dia em que surgiu) dar uma guinada de 180 graus e apresentar o que seria o melhor de seus filmes desde os anos 90. Mas será que Ridley Scott conseguiu apresentar uma prequela digna para Alien?

O título de Prometheus faz referência ao herói grego que roubou o fogo dos deuses para trazê-lo aos humanos, pecando contra as divindades. O filme se inicia, de fato, com dois arqueólogos, Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), católica fervorosa e Holloway (Logan Marshall-Green), e um ateu convicto, encontram uma caverna na Terra com misteriosas pinturas que presumem ser sido deixados por uma civilização alienígena que poderia ser progenitora da raça humana. O diretor então faz um salto no tempo e no espaço, na nave Prometheus, um nave de exploração espacial financiada por um grupo de especialistas que chega em um planeta longínquo e desconhecido na madrugada do dia 21 de dezembro de 2093. A bordo, o robô David (Michael Fassbender), o único que se manteve acordado o tempo todo durante a expedição, no dia marcado acorda os membros da tripulação, que permaneceram criogenizados por dois anos no interior na espaçonave. Entre os membros estão também os arqueólogos Shaw e Holloway que encontram no planeta semi deserto os sinais de civilização que confirmariam sua tese de nascimento de origem extraterrestre do nosso planeta. Porém a tripulação, liderada por Meredith Vickers (Charlize Theron), passa a correr um grave perigo quando encontram os habitantes do planeta.

O resultado final de Prometheus acaba se deixando levar pelo hype e esquece de contar uma história coerente. O filme é cheio de situações em que os personagens tomam decisões simplesmente estúpidas para criar subplots (todos desconcertados uns dos outros). Decisões, como comum em filmes do gênero, precursoras de algum de algum desastre para chocar o espectador e criar e emoção e o clímax do filme. Entretanto, um roteirista deve saber dosar tais truques, deve ter a capacidade de dar aos personagens uma desculpa plausível para o comportamento absurdo, caso contrário, como no caso de Prometheus, corre-se o risco de transformar uma cena em uma verdadeira ofensa ao bom senso do espectador, além de ser um amontoado de clichês; sentimos um déjà-vu inevitável logo nos minutos iniciais do filme, e é claro, percebemos os inúmeros e tão comentados furos no roteiro no decorrer do mesmo. É claro que muitas dessas explicações inexistentes podem ser justificadas para “ficaram para a sequência”, mas é assim que se deve construir um filme? Afinal, um futuro Prometheus II pode não abordar os pontos que o primeiro abordou, e tudo que foi introduzido e não teve resposta fica por isso mesmo. Nem tudo precisa ter uma resposta, mas o filme extrapola desnecessariamente, não conseguindo arcar com todo o simbolismo que tentou construir. Há uma diferença entre furos no roteiro e brechas para uma sequência. Prometheus possui ambos, mas muito mais o primeiro do que o último.

Prometheus também possui a equipe de protagonistas mais estereotipada e burra já vista em um filme de ficção. O cientista de sotaque britânico, a cota oriental inútil, a chefe mercenária que não dá muito valor à vida dos tripulantes, o andróide que quer ser um humano, um biólogo simpático (SPOILER | selecione para ler) e burro o suficiente para “brincar” com um alienígena semelhante a uma cobra, em um planeta desconhecido, sendo que ele deveria ter o mínimo de inteligência para não tomar esse tipo de atitude, o capitão negro que fala como o estereótipo de “nigga from ghetto” e (SPOILER | selecione para ler) morre sacrificando-se no fim, e é claro, a protagonista boazinha, religiosa (SPOILER | selecione para ler) separada de seu namorado pela morte do mesmo após fazer sexo com ele, como previsível em qualquer filme do gênero, e também a única sobrevivente do filme. Isso sem contar os personagens com potencial que foram mal aproveitados, como Meredith e David, ou os personagens que somem do nada (e que provavelmente não aparecerão numa sequência), frases que já ouvimos em inúmeros outros filmes anteriores a este, roteiro previsível (principalmente para quem viu Alien e sabe que esse filme possui grande ligação com o mesmo), a total falta de necessidade de escalar Guy Pearce, um ator jovem para seu personagem, interpretar um velho para aparecer por 5 minutos de filme e (SPOILER | selecione para ler) morrer de verdade após tanto tempo sendo dado como morto e por aí vai…

Se em 2009 Avatar (que já foi analisado por aqui) foi comparado a inúmeros outros filmes e obras do gênero, 2012 é a vez de Prometheus, já que parece mais uma junção de todos os filmes de ficção científica de terror num só, porém resumido em duas horas e sem nenhuma graça dos originais. Tudo bem que é só um filme, e principalmente nesse gênero, não precisa ser uberrealista. Mas em questão de roteiro, Prometheus peca, e muito. Se a intenção era apresentar um filme sério, há várias falhas que não podem passar batido. E embora os efeitos sejam bons em sua maioria, (SPOILER | selecione para ler) a cabeça arrancada de David é tão mal construída que chega a ser perturbadora – ou muito engraçada -. Para finalizar, a trilha sonora não só é completamente inadequada para o clima do filme como também é totalmente passável e genérica.

Se o filme atinge alguma suficiência esta se deve somente pela realização visual. Nos outros a estupidez reina soberana no universo de Prometheus, muito distante de Alien e de Aliens e bem próximo aos péssimos filmes Alien vs. Predator. Mas pelo menos nesses casos a estupidez era devidamente declarada. Caso o espectador queira ignorar totalmente as atuações ruins, as falas clichês e quiser assistir somente um filme de terror sci-fi, sem dar a mínima para a falta de detalhes tão óbvios que passaram batido, é uma escolha aceitável. Embora Alien e sua ótima sequência ainda sejam opções melhores. Ou algum filme de David Cronenberg, que normalmente faz terror trash e nonsense que oferece reflexões bem interessantes.

AVALIAÇÃO:

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