[Filme] My Week With Marilyn

2012 - mai Postado por Bruno Colli Nenhum comentário

O post de hoje é por conta de Bruno RF, amigo e colaborador ocasional do blog. Parágrafos adicionais escritos pelos editores do Moonflux.

Simon Curtis é um diretor britânico relativamente desconhecido, que anteriormente só havia trabalhado em projetos pequenos, com exceção da série David Copperfield da BBC. My Week With Marilyn foi o seu primeiro longa metragem a atingir o sucesso comercial, contando com nomes como Michelle Williams, Kenneth Branagh, Judi Dench e Emma Watson.

Baseado nos livros The Prince, The Showgirl and Me e My Week With Marilyn, de Colin Clark. Os livros de Clark são autobiográficos e contam como ele, um aspirante a cineasta, participou das gravações de The Prince and the Showgirl, dirigido por Laurence Olivier e estrelado por Marilyn Monroe e pelo próprio Olivier. O filme é “conhecido” por ter sido um fiasco, critica e comercialmente, ainda que estrelasse alguns dos maiores nomes da época. Seus bastidores, porém, se tornaram muito mais famosos do que a película em si. É essa história que Clark (interpretado por Eddie Redmayne) presenciou e relatou em seus livros – porém, não da forma que todos esperavam.

Em My Week With Marilyn, a proposta inicial soa muito interessante; afinal, seria a primeira vez que poderíamos ver os problemáticos bastidores de um filme tão difícil de realizar, através dos olhos de um simples assistente. Também seria interessante observar a desmistificação de Marilyn Monroe, sendo mostrada como a Norma Jeane que ela era fora dos filmes – uma mulher insegura, depressiva, infeliz. Jamais digna de pena, porém uma figura definitivamente trágica, que talvez só precisasse se sentir amada por alguém. Ambos os livros de Clark, porém, retratam Marilyn com um exagero absurdo, tanto em sua personificação como Marilyn como na pessoa por trás das câmeras. Toda a complexidade de seu caráter tornou-se pano de fundo para uma história de amor que não existiu; segundo o filme, praticamente todos os famosos dramas pessoais de Monroe aconteceram nessa semana de gravação, algo no mínimo inacreditável.

O filme segue a mesma linha: ele começa de forma interessante, com representações de Laurence Olivier (Kenneth Branagh, em um de seus melhores papeis), Vivien Leigh (Julia Ormond) e Sybil Thorndike (Judi Dench, que consegue roubar a cena em cada uma de suas frases). Por sua aparência e caracterização, Michelle Williams parece não ter sido a escolha mais adequada; ela demonstra sua habilidade como atriz ao interpretar a personagem de forma interessante, ainda que exagerada como o roteiro exige, dessa forma não conseguindo transmitir a empatia necessária para o papel. Eddie Redmayne e Emma Watson, por outro lado, estão simplesmente passáveis, em especial Redmayne, que claramente não consegue colocar-se no papel de protagonista que o foi exigido.

Já nas questões técnicas do filme, não há do que reclamar: os figurinos, a maquiagem e os cenários foram muito bem construídos, talvez para distrair o espectador com a artificialidade da direção e do roteiro. Roteiro esse que é absolutamente inacreditável, pois coloca o protagonista Colin Clark como a testemunha de algumas das frases mais marcantes de Monroe, como “Should I be her?” e “People always see Marilyn Monroe. As soon as they realize I’m not her, they run”. A ótima premissa inicial é deixada de lado para dar lugar a uma historinha melosa, clichê e previsível de amor, que mais parece ter saído da cabeça de uma garota mimada de 13 anos escrevendo uma fanfic ruim com Edward Cullen, ou substituindo a personagem de Julia Roberts no insosso Notting Hill por um dos maiores ícones da história. Ela se apaixona por ele, ela pergunta se ele a ama, ele a descarta por “ser melhor para ambos dessa forma”, ela vai atrás dele. O maior desrespeito do filme é Marilyn tornar-se uma personagem unidimensional e digna de pena nos devaneios amorosos inexistentes de Clark, algo que ela nunca foi.

My Week With Marilyn acaba sendo uma grande decepção em todos os sentidos, e também uma grande vergonha. Que direito essa pessoa tem para usar a imagem de outra pessoa e denegrí-la dessa forma, e pior, ganhar dinheiro com isso? Colin Clark era um grande babaca e aproveitador – tanto que só lançou os livros após a morte de Olivier, que poderia muito bem negar todos os “fatos” relatados -, e é uma pena que tantas pessoas tenham comprado sua história com tanta facilidade. Se o intuito do filme era mostrar um “outro lado de Marilyn Monroe que as pessoas não conheciam” (lado esse que já era de conhecimento público, considerando o quanto fazem questão de falar que Norma Jeane era uma pessoa doente), acabou alcançando um objetivo muito mais cruel: o de denegrir ainda mais a imagem de uma pessoa falecida há quase cinquenta anos, sem o menor propósito para tal, que não teve como ter paz nem depois de sua morte.

AVALIAÇÃO: