[Filme] District 9

2010 - mar Postado por Bruno Colli 1 comentário

Primeiro longa metragem do cineasta sulafricano Neill Blomkamp e produzido por Peter Jackson, District 9 (Distrito 9 em português) foi uma das maiores surpresas do cinema em 2009. Afinal, com exceção de Jackson, o filme não possui nenhum nome realmente conhecido, seja no elenco ou no desenvolvimento (que foi realizado utilizando um orçamento bem baixo) – e nada disso impediu o sucesso de crítica, de público e as surpreendentes quatro indicações ao Oscar.

Adaptação de um curta de Blomkamp dirigido em 2005, Aliens in Joburg, District 9 se passa em uma realidade alternativa, onde aliens pousaram na Terra em 1982 e passaram a viver em um distrito em Joanesburgo, por motivos não esclarecidos para a humanidade. Com o tempo, o preconceito e a discriminação contra os alienígenas se torna cada vez mais forte, culminando na criação de uma equipe especializada cuja tarefa é removê-los do distrito para acomodá-los em outro lugar – seja por boa vontade ou à força. O filme é narrado em duas formas: uma sob o ponto de vista do protagonista e líder da equipe Wikus van de Merwe (interpretado por Sharlto Copley), e a outra em forma de documentário sobre sua vida.

Obviamente, algo tão antiético não poderia acabar bem. Apesar de alguns concordarem (na verdade, serem induzidos a concordarem, já que a equipe utiliza métodos bastante questionáveis para convencê-los), muitos alienígenas são absolutamente contra e se revoltam contra os humanos. Alguns mais raros querem apenas ficar em paz e encontrar um método para voltar para casa. Entre eles, está o alienígena Christopher Johnson (Jason Cope), que vive com seu filho e é consideravelmente mais inteligente que os outros de sua raça. E é ao conhecer Christopher que Wikus vê sua vida mudar totalmente, de uma forma que ele jamais imaginaria. Enquanto isso, uma gangue nigeriana se aproveita da situação para traficar armas e ração de gato – comida que causa reações curiosas nos alienígenas, deixando-os completamente viciados.

Qualquer semelhança da história com o Apartheid (regime que durou de 1948 a 1990 na África do Sul, onde os brancos detinham o poder e o resto dos povos eram obrigados a conviver separadamente, por não serem considerados cidadãos “de verdade”) não é mera coincidência. Muitos comentários feitos sobre alienígena sem District9 são inspirados em comentários feitos sobre negros na época do Apartheid. Além de preconceito e discriminação, o filme também aborda temas como xenofobia, deslocamento à força, desigualdade social, tráfico de armas e corporações antiéticas – todos metaforicamente presentes em uma história sobre alienígenas.

District 9 foi uma grata surpresa, pois não só provou que uma boa história não precisa de nomes conhecidos e nem 500 milhões de dólares utilizados para produzir efeitos e jogá-los em um certo filme cuja história não passa de uma mistura de histórias elaboradas de formas muito melhores. Por sinal, District 9 também serviu de “inspiração” para o filme em questão – isso explica porque há uma certa “semelhança” no enredo. Mas District9 o faz de uma forma bastante inteligente e criativa, um carisma único que inteligente, que nos faz refletir após o término do filme – não só sobre os temas abordados, como também os efeitos especiais, que apesar de explicitamente demonstrados que foram realizados com um orçamento baixo, tem seu charme. Uma sequência está sendo planejada pelo diretor; resta esperar que seja, no mínimo, tão bom quanto a obra original.