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[Álbum] Dead Can Dance – Anastasis

[Álbum] Dead Can Dance – Anastasis
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Dezesseis anos depois de Spiritchaser, álbum-epitáfio que marcou um percurso genuinamente étnico de uma banda única e inclassificável, Brendan Perry e Lisa Gerrard voltam a brilhar com o Dead Can Dance. É justo e espontâneo perguntar-se o que teria de novo para mostrar uma dupla cujo percurso parecia ser um círculo perfeito, ao ponto de não errar em nenhum disco, evoluindo lentamente de modo tão natural. Para responder a essa pergunta poderia ser suficiente o início de Amnesia, a voz de Perry, intacta e ainda mais profunda, exatamente como a recordávamos com seu álbum solo Ark.

Anastasis parece recordar os elementos étnicos de Spiritchaser, a poesia de Into the Labyrinth, mas possui algo a mais, uma força expressiva nova e madura. Explorando as profundezas do álbum, logo se sente fluir o bom velho “gótico”: qual seria a melhor maneira de definir Children of the Sun, majestosa sinfonia que se abre de modo quase onírico? Estamos de frente àquela sincera atmosfera de reflexão filosófica que Perry se referia ao apresentar o novo álbum, que caminha lento e fluente até Anabasis, faixa na qual Lisa Gerrard parece se movimentar entre arabescos obscuros e carregados de misticismo em uma performance quase unânime, memórias de The Mirror Pool, marcado por sua sonoridade despojada e obliqua, que continua em faixas como Kiko, acrescentando traços medievais tão bem explorados e alcançados em Aion, mas aqui o som é ainda mais rarefeito, minimalista e austero, como talvez nunca fora antes.

Agape, por sua vez, é caracterizada por traços somáticos orientais, hino a uma divindade imaginária, a partir de um cenário vibrante e profundamente ornamentado com o sitar como pano de fundo. Lisa, harmônica e multiforme ainda faz uma aparição nos etéreos passos liturgicos de Return of the She-King, uma das melhores do álbum, onde o substrato sonoro se limita em boa parte da faixa, atuando como uma moldura perfeita, deixando espaço para o esmorecimento de sua voz de forma contínua.


Brendan
reaparece na miscelânia romântica de Opium, “canção” no sentido mais genuíno do termo, ritmada por arcos solenes, e se destaca ainda mais em All In Good Time, uma viagem em direção a um sonho eterno, praticamente apenas com sua voz calma nos primeiros quatro minutos e substituída no final, por um formidável coro instrumental, selado em um minuto de alta intensidade.

Foto ilustrativa da maravilhosa edição Super Deluxe Box do álbum; clique para ampliar a imagem

Dead Can Dance está de volta, e sua ressurreição (tradução do título do álbum em grego) não poderia ter sido mais brilhante. Anastasis é um álbum intimamente ligado ao passado da banda, porém, mais maduro, feito por uma dupla cuja sonoridade traça suas coordenadas a partir de estilos atemporais. Uma grande surpresa, muito além das expectativas, e um dos melhores álbuns lançados em 2012 até agora.

AVALIAÇÃO:

Ouça o álbum na íntegra:

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3 Comments

  1. Fiquei muito feliz de vcs fazerem esta resenha. Ninguém em 2012 se atentou ao fato de que eles voltaram.
    Tem hora que eu acho a internet um lixo não pelo ambiente, mas pelas pessoas Custava dar visibilidade à volta do DCD? Bem, as pessoas estão mais ocupadas com a Katy Perry e o Vaccines, né?
    Vcs são gênios.
    Gosto muito do moonflux.

  2. Fiquei muito feliz. Obrigada!

  3. Que feliz descoberta.

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