[Curtas] Trabalhos de Georges Méliès

Mais de 100 anos depois de seu primeiro experimento cinematográfico, o nome George Méliès voltou a estar em evidência. Selecionamos alguns dos melhores curta metragens do ilusionista e cineasta que conquistou um lugar de prestígio na sétima arte com seu legado imortal.

Le Voyage dans la Lune

Le Voyage dans la Lune é parte de nossa cultura. E mesmo com mais de cem anos de idade sempre esteve presente sem que nos déssemos conta.
Inspirado na forte tradição literária de ficção científica, em particular a de Jules Verne, o mago do ilusionismo George Méliès vai além dos limites da imaginação, colocando em cena uma viagem que nem os sonhos humanos mais profundos poderiam imaginar e que, seria realmente colocado em prática sessenta anos depois. Uma grandiosa viagem a lua e a descrição de seus hostís habitantes. Em 1999, deu-se início a uma nova viagem lunar, dessa vez com destino a restauração. Quase 14 minutos de imagens deterioradas pelo tempo e pelo nitrato de celulose (material que naquele tempo era usado para fazer as películas), praticamente reduzidas a farrapos a serem restauradas. Não se sabia ao certo se seria possível, mas o uso da tecnologia digital permitiu reconstruir, montar e fazer renascer praticamente do nada uma das maiores obras primas da ficção cinematográfica. Essa raríssima versão, que foi colorizada quadro a quadro e totalmente à mão, demorou onze anos para ser concluída. Em 2011, a edição remasterizada de Le Voyage dans la Lune foi finalmente apresentada ao público, acompanhada de trilha sonora, feita especialmente pelo grupo francês AirLe Voyage dans la Lune também foi o primeiro filme a ser classificado como patrimônio mundial pela Unesco.

Voyage à travers l’impossible

Voyage à travers l’impossible, de 1903, é a adaptação de uma peça de Jules Verne feita para o cinema. No texto de Verne o destino da viagem era o centro da terra, mas na tela do cinema a viagem foi mais além. Nessa fasciante versão cinematográfica, Méliès leva os cientistas do Instituto de Geografia Incoerente para a superfície do sol depois de um passeio pela paisagem dos alpes suíços. Concebido para ser a continuação de Le Voyage dans la Lune, superou o antecessor em termos de ambição, detalhes e até mesmo em criatividade, sendo também o filme mais caro produzido na época. Méliès ignorou as leis físicas e a própria realidade para dar liberdade ao que se pode chamar de verdadeira magia do cinema. A criativa mecânica elaborada para a viagem espacial, a personificação de corpos celestes e a delicada colorização feita a mão renderam ao filme sucesso imediato em todo mundo.

Le Manoir du Diable

É de se imaginar a sensação de fascínio e medo que este curta de 3 minutos deve ter provocado nos espectadores quando foi projetado pela primeira vez no teatro Robert Houdin, em Paris, no ano de 1896. Méliès usou todo o arsenal de recursos disponíveis na época pra mais uma vez reproduzir ótimos efeitos especiais para a época, contando a história de um morcego que entra em um castelo (com a câmera apontada em uma posição fixa, sem movimento), que, de repente, se transforma em Mefisto e terá que lutar com um cavaleiro que ali aparece. A sensação de magia na verdade se caracteriza pelo antagonista demoníaco que faz aparecer esqueletos, fantasmas e figuras folclóricas que na verdade ocupam o lugar de destaque. Embora considerado por muitos como o primeiro filme de terror do cinema, o próprio Méliès já havia filmado meses antes um curta do mesmo gênero chamado Une Nuit Terrible.

Les Hallucinations du Baron de Münchausen

Um banquete regado a muito vinho se transforma em um caleidoscópio de alucinações. Quando Münchausen se deita na cama vemos ao fundo um espelho, um espelho falso, com atores que se movem de forma monumental dando origem a uma explosão de visões oníricas, quase sempre sem conexão, mas de grande impacto. Dentre as quais destacam-se a do dragão descontrolado, o elefante e a espetacular mulher aranha. O filme foi lançado em 1911 e foi inspirado no livro de Gottfried August Bürger.

Les illusions Fantaisistes

Uma interessante cenografia turquesa com detalhes dourados é o cenário do curta metragem que começa com um show de ilusionismo. A um certo ponto há uma reviravolta interessante, quando o mágico faz parecer que os bonecos adquirem vida própria e começam a assumir aparências bizarras. Parece que o mágico perde o controle de sua magia. Mas tudo volta ao normal e a reverência ao público marca o aguardado final. Simples, porém notável pela sutileza, fluidez e ritmo.

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2 comentários para “[Curtas] Trabalhos de Georges Méliès”

  1. Caio disse:

    Excelente post, Pietro! *_*

  2. Pierrot disse:

    Ótimo texto. :3

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