[Filme] Tomboy

Laure tem 10 anos e acaba de se mudar, junto com a família e a irmã, para uma nova casa em um bairro de Paris. De aspecto andrógino e corpo magro, Laure decide se apresentar aos novos amigos como um menino, de nome Michaël. Neste papel é aceita pelo grupo, mas o verão está acabando, logo começarão as aulas e esse jogo de disfarces lentamente começa a ficar mais complicado.

O tema não é novo e poderia certamente ter caído às margens de uma narrativa já tratada outras vezes, como no filme belga Ma Vie en Rose, de Alain Berliner, no qual o problema se colocava nos mesmo termos, mas com os papéis invertidos. O que nos conquista no filme da diretora francesa de origem italiana é o realismo  de sua obra, o clima de frescor e delicadeza dos sentimentos. Em seu segundo longa metragem, Céline Sciamma se impõe por sua extraordinária simplicidade e uma naturalidade absoluta que envolve e comove o espectador. As lentes conseguem penetrar na personalidade dos personagens sem deixar nada ao acaso.

A jovem diretora se espelha na bela tradição francesa de filmes sobre a infância como Zéro de Conduite (Zero de Conduta no Brasil), de Jean Vigo e Les Quatre Cents Coups (Os Incompreendidos no Brasil), de François Truffaut, nos quais a sensação de espontaneidade na interpretação das crianças é obtida não com a improvisação, mas com uma delicada edição e e uma excepcional direção de pequenos atores.
O dilema que a protagonista vive em relação a identidade, dividida entre o que seu corpo impõe que seja e a irreprimível vontade de sua mente que deseja o oposto não recai em uma excessiva dramatização do personagem nem em uma injusta atmosfera de auto piedade.

Os diálogos são poucos e substituídos por uma belíssima fotografia e intensos enquadramentos em primeiro plano que substituem por reflexões o que não foi dito. A verdadeira descoberta da sensualidade da protagonista não se faz necessária pois o filme se foca sobre algo mais importante, a auto consciência de si mesma e a livre expressão do indivíduo, que vão muito além dos limites do corpo.

O roteiro foi escrito por Céline em somente três semanas, quase o mesmo tempo das filmagens. Também foi vencedor do Teddy Awards 2011, do Festival de Berlim, do NewFest – New York’s LGBT Film Festival (onde Zoé Héran ganhou o merecido prêmio de melhor atriz), entre várias outras premiações. Tomboy é uma rara e agradável surpresa ao estilo francês que vale a pena ser assistida.

AVALIAÇÃO:

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2 comentários para “[Filme] Tomboy”

  1. Caio disse:

    Muito bom, Pietro! =D

  2. Thiago disse:

    Adorei! :3

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