Como eu havia dito no meu post anterior, o ano de 2011 foi um tanto fraco em matéria de cinema. Vários filmes baseados em franquias renomadas foram lançados, mas a maioria acabou sendo decepcionante (Green Lantern e Thor, para citar alguns exemplos), e muitos dos lançamentos mais interessantes acabaram sendo as remasterizações de clássicos em Blu-Ray. Porém, aqueles que se destacaram não fizeram feio, e são esses que mais me agradaram que decidi, com a ajuda do co-autor Pietro, inserir na lista de melhores do ano.
5. SOURCE CODE

Source Code é o segundo longa dirigido por Duncan Jones, filho do grande artista David Bowie. Ele já havia mostrado seu talento em Moon, de 2009, e conseguiu fazer um trabalho tão bom quanto em seu segundo filme. Mesclando elementos de ficção científica como viagem no tempo e troca de corpos, esse ótimo suspense mostra que Jones herdou o talento de seu pai, mas no cinema. No Brasil, o filme foi lançado de forma limitada, somente em alguns cinemas, e ficou bem pouco tempo – além de ainda não ter sido lançado em DVD ou Blu-Ray. O que me parece simplesmente errado, considerando que o filme não só é de excelente qualidade, como também obteve grande êxito nas bilheterias mundiais. Mas considerando que o filme está na lista dos dez filmes mais pirateados do ano…
4. A TORINÓI LÓ

Assisti esse filme enquanto estava morando em Londres, sem esperar absolutamente nada. Sabia apenas que era o filme inédito do diretor húngaro Béla Tarr, e que era baseado em um fato ocorrido em 1899, envolvendo Friedrich Nietzsche – mais precisamente, a tortura de um cavalo assistida por ele, o que pode ter colaborado para o colapso mental do mesmo. O filme me surpreendeu a cada minuto; a história é retratada sem o envolvimento de Nietzsche, mas com uma família à beira da autodestruição, enquanto cuida de seu cavalo. A carga dramática do filme se mostra em cada uma de suas cenas, e a infelicidade de todos os personagens está presente do início ao fim. Por ser um filme experimental , com apenas 30 takes bem longos (marca registrada do diretor) e filmado em preto e branco, A Torinói Ló não é um filme exatamente acessível para todos (vi algumas pessoas saindo da sala do cinema enquanto assistia – algumas com lágrimas no rosto…), mas sem dúvidas está entre um dos mais interessantes do ano. Pouco após o lançamento do filme, Tarr afirmou que não pretende filmar novas películas, o que é uma pena. Só nos resta esperar que ele volte atrás.
3. MIDNIGHT IN PARIS

A carreira de Woody Allen tem sido no mínimo oscilante desde os anos 90. Apesar de ter dirigido alguns filmes realmente muito bons, a maioria deles se mostrou passável, clichê, esquecível. Felizmente, Midnight in Paris não é um desses. Pelo contrário, Woody parecia estar inspiradíssimo quando o dirigiu – talvez em sua própria vida pessoal, considerando o fator semiautobiográfico do filme. A escolha de Owen Wilson para o papel principal me pareceu estranha no começo, mas isso também me surpreendeu, considerando que o ator fugiu totalmente de seus papeis em filmes de comédia pastelão e representou um “jovem Woody” com muito carisma e tornou o personagem facilmente identificável. A paixão do diretor pelos anos 20 se mostra com ainda mais força, e talvez isso tenha colaborado para um roteiro muito bem escrito, com retratações ótimas de ícones dessa era, como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald (que já havia sido retratado em outras obras do diretor, como Zelig, de 1983), sua melhor direção desde The Purple Rose of Cairo, e um dos melhores filmes de toda sua longa carreira.
2. MELANCHOLIA

Por se tratar de um filme de Lars Von Trier, muitos passaram longe de Melancholia, considerando a fama de “babaca que dirige filmes ridiculamente controversos” do diretor. Mas a grande maioria dos filmes de Von Trier sempre chamaram a minha atenção, e com Melancholia não foi diferente. Diferente de seu antecessor, Antichrist, Melancholia foge dos elementos de horror, e se concentra mais no drama. Von Trier afirmou estar em uma crise de depressão quando escreveu o filme, e isso se mostra em cada cena; os personagens são infelizes, descontentes, insatisfeitos e não encontram uma solução para suas vidas miseráveis. Os dois capítulos do filme, um com o ponto de vista da personagem Claire (interpretada de forma sensacional por Kirsten Durst) e outro com sua irmã Justine (minha querida Charlotte Gainsbourg se superando novamente e atuando de forma ainda melhor que Kirsten), apesar de se completarem, parecem dois médias distintos, já que tanto o estilo da direção como o de roteiro mudam significativamente de um capítulo para o outro. Não recomendo Melancholia para ninguém que esteja sofrendo de depressão e pessimismo, pois apesar de um dos personagens trazer um pouco de “comic relief” no primeiro capítulo, não há um momento feliz ou esperançoso aqui. Isso não muda o fato de que é um dos melhores filmes do ano e que podemos até perdoar Von Trier por ser um babaca, se sua mente é tão conturbada e infeliz quanto retratada de forma indireta no filme.
1. DRIVE

Seria muito difícil eleger outro filme como o melhor do ano. Assisti Drive sem esperar muita coisa, apesar de ter recebido várias indicações positivas do mesmo. Me deparei com um dos melhores filmes de ação que já vi, e também o que mais foge dos clichês do gênero. Uma homenagem aos filmes de crime dos anos 80 e também ao cultuado diretor Alejandro Jodorowski, Drive acerta em cheio ao não confundir homenagens com cópias. Seus takes longos sem diálogo, sua trilha sonora excelente e sua carga emocional se encaixando perfeitamente em cada uma das cenas, tornando-as metafóricas e analíticas, me surpreenderam positivamente a cada instante. A qualidade da direção e da forma que o roteiro é conduzido é inquestionável, e sem dúvida nenhuma pode ser considerado o melhor filme do diretor Nicolas Wefn. Uma produção arriscada que deu muito certo e que vai agradar a todos que conseguirem captar a essência do filme. Mais do que recomendado.
Menções honrosas: Batman – Year One, Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, Jane Eyre
Filmes de 2011 que quero ver em 2012: Hugo, Le Havre, Faust, The Girl with the Dragon Tattoo, Carnage

Olha só, até Melancholia no seu Top 5.
Agora que o semestre oficialmente acabou, acho que estou com o psicológico pronto para assistir esse.
Apesar de sentir falta de Black Swan e alguns outros foi uma ótima lista, já estou baixando Melancholia e qualquer lista que tenha Drive é um bom sinal.
Black Swan não foi incluído por ser de 2010: http://moonflux.com/2011/01/01/top-5-melhores-filmes-de-2010/
Não conhecia esse quarto aí que você postou mas com relação à Melancolia, sabe que eu não achei ele pessimista? Ao contrário de Anticristo, aquele final me passou uma sensação de esperança sabe? A Claire é responsável por isso a maneira como ela junta todos no final é comovente pela situação em si mas achei um lampejo de esperança da natureza humana.
[Spoiler]
Sim, eu também achei, mas infelizmente essa mesma ponta de esperança se vai no último segundo do filme. :/
ta todo mundo me recomendando esse drive, vou baixar esse e o love and death ainda hoje pra assistir. obrigado ^^