Se 2011 não foi o ano mais fácil de todos pra muita gente, em questão de música ele não poderia ter sido melhor. Vários artistas consagrados retornando para a indústria musical após um bom tempo sem gravações, novas bandas surgindo, lançamentos inesperados e muito bem vindos, este foi um ano para ser bem lembrado musicalmente. Essa lista reúne os cinco melhores álbuns de 2011 na minha opinião, com algumas menções honrosas, pois foi muito difícil escolher apenas cinco.
5. DANGER MOUSE & DANIELE LUPPI – ROME

As parcerias do produtor Brian Burton, muito mais conhecido como Danger Mouse, sempre acabam em ótimos resultados: Dark Night of the Soul, produzido com o falecido Mark Linkous (vulgo Sparklehorse), foi um dos melhores álbuns de 2009. No ano seguinte, ele se juntou a James Mercer, vocalista da banda americana de indie rock The Shins (que já havia colaborado anteriormente com Burton, em uma participação no mencionado Dark Night of the Soul) e formou a ótima banda Broken Bells, cujo álbum de estreia é considerado por mim um dos melhores álbuns do ano passado. Nesse ano, a parceria de Danger Mouse foi com músico e produtor italiano (meu conterrâneo!) Daniele Luppi, conhecido por suas produções musicais cinematográficas. Esse elemento está presente em Rome, refinado álbum com elementos de trilha sonora de filmes western, praticamente a trilha de uma película jamais lançada dirigida por Sergio Leone. Para contribuir com o ar vintage do álbum, Rome foi gravado utilizando instrumentos musicais antigos, além contém participações de compositores e arranjadores de trilhas de clássicos do velho oeste. O álbum também conta com as participações doscantores Jack White e Norah Jones (!), mas a maioria de suas faixas são instrumentais.
4. M83 – HURRY UP WE’RE DREAMING

O projeto musical de Anthony Gonzalez supera-se a cada lançamento; três anos após o lançamento do ótimo Saturdays=Youth, esse ambicioso álbum é uma melhoria geral do estilo conhecido pela banda, que mescla música eletrônica com elementos de New Wave oitentista e shoegaze. Apesar de ser um álbum duplo, Hurry Up We’re Dreaming é o mais acessível de toda a carreira do ato musical até hoje, o que pode ser facilmente percebido com seu primeiro single, Midnight City. Hurry Up We’re Dreaming também foi o álbum que atingiu o maior número em posições de vendas do M83 até hoje.
3. KATE BUSH – 50 WORDS FOR SNOW

2011 também foi um ano surpreendente pelo fato da grande artista britânica Kate Bush retornar aos estúdios, não para lançar um, mas dois álbuns distintos. O primeiro, Director’s Cut, foi lançado em maio de 2011 e continha regravações de algumas de suas canções mais antigas, inclusas nos álbuns The Sensual World (1989) e The Red Shoes (1993). O álbum foi bem recebido, mas deixou um gostinho de “quero mais” – até porque desde 1993 Kate costuma tomar um longo intervalo entre as gravações de seus álbuns (entre The Red Shoes e Aerial, seu álbum anterior, haviam se passado doze anos). E o desejo dos fãs foi realizado com um álbum contendo somente faixas inéditas; 50 Words for Snow é um álbum belo, refinado, calmo e melancólico. Ideal para momentos de introspecção e reflexão pessoal, Kate apresentou novamente seu talento incontestável e o motivo para ser uma artista tão consagrada e aclamada. Para aqueles que não conhecem Kate Bush mas vivem batendo cabelo ouvindo as musiquinhas de suas “divas pop” prediletas, saibam que ela foi a primeira cantora a fazer uma tour utilizando um microfone sem fio para poder cantar e dançar ao mesmo tempo, tecnologia inédita na época em que a tour foi realizada, além de incorporar elementos de mágica, mímica, literatura, atrações performáticas, projeção em tela e mudança de roupas durante os shows – todos esses elementos pioneiros que foram integrados pela própria cantora, e copiados até hoje por todo o mundo.
2. THE BLACK KEYS – EL CAMINO

A dupla formada por Dan Auerbach e Patrick Carney se supera novamente com um dos álbums mais viciantes do ano, onde cada uma de suas faixas poderia ser lançada como single sem problema algum. Lançado pouco mais de um ano e meio após seu antecessor, Brothers, El Camino segue o mesmo padrão apresentado pela banda anteriormente: um álbum divertido, coeso, despretensioso e de sonoridade inspirada em bandas clássicas do rock, ao mesmo tempo que foge de uma mera cópia. Talvez pelo fato de não ter grandes pretensões, sem jamais confundir isso com canções vazias e desinteressantes, é que torne El Camino um dos melhores álbuns do ano. Essa mesma fórmula deu certo nos álbuns anteriores da banda, e se repete aqui sem cair na mesmice. Minha única reclamação é que enquanto Brothers possui 15 faixas, El Camino contém apenas 11. E como era de se esperar, ele termina deixando o ouvinte ansioso para o próximo álbum. Ainda bem que a dupla não costuma tomar grandes intervalos entre seus lançamentos.
1. TOM WAITS – BAD AS ME
Um dos artistas mais criativos de todos os tempos, Tom Waits retornou aos estúdios esse ano para gravar seu primeiro álbum contendo somente faixas inéditas desde Real Gone, de 2004 (o excelente álbum triplo Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards, de 2006, era somente uma coletânea do que ainda não havia aparecido em álbuns oficiais do cantor). É impossível rotular um gênero para Tom Waits, considerando a criatividade do artista e o fato de que nenhum de seus álbuns é igual ao outro, e isso não é diferente com Bad as Me. Alguns preferem chamar de “música experimental”, mas esse é um dos termos mais genéricos possíveis tratando-se de música, mais até do que rock e pop, por mais estranho que isso possa parecer. Prefiro dizer que o gênero composto por Tom Waits se chama Tom Waits, e está dividido em pelo menos cinco categorias musicais diferentes. Bad as Me é um álbum vasto e rico, passando por momentos ferozes, felizes, sóbrios, ébrios, melancólicos, mas sem perder a coesão um momento sequer e sem nenhuma faixa ocupando espaço à toa. Não é pra menos que considero o melhor do ano e um retorno mais do que bem vindo do cantor. Altamente recomendado.
OUTRAS INDICAÇÕES
Muitos dos álbuns abaixo foram considerados para integrar a lista, mas seria impossível listar todos ou categorizar. Quem sabe seria possível classificar todos em um top 50? Afinal, como eu disse no início do post, 2011 foi um dos melhores anos na música. E ainda estão faltando muitos álbuns! Caso queira indicar algum, sinta-se à vontade.
- Elbow – Build a Rocket, Boys!
- Tori Amos – Night of Hunters
- PJ Harvey – Let England Shake
- Charlotte Gainsbourg – Stage Whisper
- Bon Iver – Bon Iver
- Fleet Foxes – Helplessness Blues
- Wild Beasts – Smother
- Destroyer – Kaputt
- The Antlers – Burst Apart
- The Pains of Being Pure at Heart – Belong
- Tune-Yards – w h o k i l l
- Gotye – Making Mirrors
- TV On the Radio – Nine Types of Light
- Friendly Fires – Pala
- EMA – Past Life Martyed Saints
- St. Vincent – Strange Mercy
- Neon Indian – Era Extraña
- Twin Sister – In Heaven
- Wolf Gang – Suego Faults
- Summer Camp – Welcome to Condale
- The Wombats – This Modern Glitch
- Death Cab for Cutie – Codes and Keys
- Björk – Biophilia
- Foster the People – Torches
- Young the Giant – Young the Giant
- Acid House Kings – Music Sounds Better With You
- Beirut – The Rip Tide
- Low – C’mon
- Radiohead – The King of Limbs
- Mogwai – Hardcore Will Never Die, But You Will
- The Kills – Blood Pressures
- Lamb – 5
- Little Dragon – Little Dragon
- Cut Copy – Zonoscope
- Gruff Rhys – Hotel Shampoo
- Is Tropical – Native To
- Justice – Audio, Video, Disco
- Metronomy – The English Riviera
- Bombay Bicycle Club – A Different Kind of Fix
- Anna Calvi – Anna Calvi
- Austra – Feel It Break
- Cults – Cults
- Broken Social Scene – Forgiveness Rock Record
- Canon Blue – Rumspringa
- Cat’s Eyes – Cat’s Eyes
- The Horrors – Skylarking
- Florence + The Machine – Ceremonials
- Keren Ann – 101
- Yuck – Yuck
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