Nascido em Belgrado, Iugoslávia (atual Sérvia), o cineasta Dušan Makavejev estabeleceu sua carreira cinematográfica durante os anos sessenta, período em que seu país atravessava uma fase conturbada após o fim da Segunda Guerra Mundial, graças à liderança autoritária e controversa de seu presidente, Josip Broz “Tito”. Seus primeiros trabalhos, como Čovek nije tica (O Homem Não é Um Pássaro), de 1965, e Ljubavni slučaj ili tragedija službenice P.T.T. (A Tragédia de Uma Telefonista), de 1967, foram aclamados internacionalmente pela originalidade de seus roteiros e pela utilização de metáforas fortes através de roteiros envolvendo romances frustrados e assassinatos misteriosos. Makavejev foi um dos principais responsáveis pelo movimento cinematográfico iugoslavo sessentista que posteriormente se tornou conhecido como Crni Talas, a Onda Negra Iugoslava, batizada dessa forma devido ao humor negro, às críticas ao governo e ao pessimismo que abordavam seus filmes. Muitos dos realizadores destes filmes foram obrigados a abandonar o país, e Makavejev foi um deles.
Desde sua conclusão em 2000, The Atrocity Exhibition de Jonathan Weiss quase não foi exibido nos cinemas. O diretor trabalhou com recursos bastante limitados e teve que lidar com constantes interrupções em sua produção devido à falta de verba, o que levou o processo criativo a prolongar-se por alguns anos. Contudo, todo o sentido da obra pode ser resumida nas palavras do próprio diretor:
A poética extrema de Werner Herzog encontra no documentário uma dimensão ideal, feita de obsessões e temas recorrentes, nos quais o diretor alemão constrói sua peculiar visão pessoal do homem e da natureza. Artista não convencional, tem sido bem-sucedido desde sua estréia o cinema em 1962 com o curta Herakles (Hércules), e com maior evidência a partir de 1968 com seu primeiro longa Lebenszeichen (Sinais de Vida), levando adiante a ideia de um cinema livre de qualquer rótulo ou simplificação, capaz de desfrutar das potencialidades do documentário para refletir sobre os diferente níveis da verdade.
Baseado no conto literário Proshchanie s Matyoroy (Adeus à Matyora), de Valentin Rasputin, Proshchanie (A Despedida) narra a estória dos habitantes de Matyora, vilarejo com suas próprias tradições, localizado na ilha homônima. Enraizada no culto à natureza, no pastoreio e agricultura que vive seguindo o ciclo dos grãos que produz. Antiga como a grande árvore que surge nos confins dos campos e isolado do resto do mundo justamente por estar localizado em um lago siberiano que tem o nome daquela pequena comunidade. Mas tudo isso está prestes a desaparecer, pois o vilarejo está ameaçado por um contrato que pretende submergir a ilha e transformar a bacia natural em uma barragem artificial para uma hidrelétrica. Darya, uma das mulheres mais velhas vê se velho e antigo mundo, o mundo de seus ancestrais, desaparecer diante de seus olhos, incapaz de dizer adeus a Matyora.
Combatente política engajada através do cotidiano feminino. É como se define Helke Sander. E de fato, a diretora e escritora feminista alemã nascida em Berlin no ano de 1937, passou grande parte de sua vida lutando pelo direito das mulheres. Uma mulher acostuma a reinventar a si mesma e a criar suas próprias condições de vida. Casada com o escritor finlandês Markku Lahtela, trabalhou no teatro e televisão finlandesa, voltando para Berlim Ocidental em 1965, divorciada e com um filho pequeno, decidida a fazer a diferença no que diz respeito à posição da mulher na sociedade. Voltar para Berlin a essa altura significava recomeçar do zero: após concluir o estudo na Academia Alemã de Filme e Televisão de Berlin (Deutsche Film – und Fernsehakademie Berlin) passou a trabalhar como tradutora e jornalista precária. Da necessidade cotidiano nasce a ação e Sander, empanhando-se fortemente pelos direitos das mulheres ainda antes, e após internamente, do movimento sessentista alemão e está entre as primeiras mulheres a fundar os famosos Kinderläden (creches privadas organizadas pelos próprios pais, conhecidas por suas posições politizadas e anti-autoritárias) de Berlin, um modelo que em seguida se expandirá por toda a Alemanha.