[Filme] Shadows and Fog

por Bruno
Categorias: Filmes
Comentários: Sem comentários
Publicado em: 26 de janeiro de 2012

Dirigido por Woody Allen em 1991 e baseado em sua peça Death, Shadows and Fog (lançado como Neblina e Sombras no Brasil) é um dos vários filmes monocromáticos do diretor, mas esse se destaca por ser uma homenagem ao expressionismo alemão da década de 1930, especificamente às obras de diretores como Fritz Lang, F.W. Murnau e G.W. Bapst, e também ao consgrado escritor Franz Kafka.

Estrelando o próprio Allen e sua parceira na época, Mia Farrow, o filme também conta com um elenco de grandes atores, como Jodie Foster, Lily Tomlin, John Malkovich, Donald Pleasance e Kathy Bates, além de muitos nomes que mais tarde se destacariam por outras obras, como John Cusack, e uma pequena participação da cantora Madonna. Porém, a maioria dos atores fazem participações que não duram nem cinco minutos, o que podemos chamar de um ótimo elenco sendo mal aproveitado. A maioria dos personagens sequer possui um nome.

Em Shadows and Fog, Allen interpreta Kleinman, um personagem bastante típico de suas obras: sarcástico, neurótico, covarde, intelectual e atrapalhado. Ele e uma equipe de vigilantes estão procurando por um misterioso serial killer que já fez diversas vítimas por estrangulamento. Enquanto isso, em um circo próximo, um palhaço (Malkovich) e sua esposa, uma engolidora de espadas (Farrow), estão com problemas de relacionamento, que culminam na traição do palhaço com a equilibrista (Madonna), flagrada por sua esposa, que foge e acaba sendo acolhida por um grupo de prostitutas (Bates, Foster e Tomlin). A trama se desenvolve a partir desses acontecimentos, que ocorrem em apenas uma noite.

Em questões técnicas, Shadows and Fog é um dos filmes mais interessantes do diretor: uma ótima homenagem aos clássicos expressionistas, de fotografia impecável; por instantes, podemos mesmo nos confundir e pensarmos estar assistindo um filme dirigido por Fritz Lang em 1932.

Porém, infelizmente, esse é o maior destaque de Shadows and Fog. O roteiro é fraco, e apesar de algumas piadas, está longe de ser um dos melhores já escritos pelo diretor. A tentativa de comédia na história não poderia combinar menos com o clima sombrio presente, parecendo bastante forçado. Muitas vezes o filme se perde em situações estereotipadas, e quando acreditamos que o clímax está se aproximando, algo extremamente anticlimático acontece e acaba com nossas expectativas.

Como homenagem, Shadows and Fog funciona muito bem, e a direção de arte está impecável. Mas não são as questões técnicas que fazem um filme, e as diversas falhas em matéria de roteiro, história e direção (como escolher um elenco tão interessante e reduzí-los a participações de três minutos?) acabam diminuindo a qualidade do mesmo. Vale a pena assistir pela qualidade artística, mas o diretor possui vários filmes mais interessantes no geral.

AVALIAÇÃO:

[Música] The Velvet Underground

por Pietro
Categorias: Música
Comentários: Sem comentários
Publicado em: 23 de janeiro de 2012

My God is rock ‘n’ roll.

Frase proferida não pelo messias do rock, mas sim pelo anticristo: Lou Reed, que, ao “fundar” uma religião de nome sutil, influenciou bandas de todas as vertentes do gênero. Essa religião? O Velvet Underground.

No mesmo ano que em San Francisco eclodia o Summer of Love da cultura psicodélica,
foi lançado o álbum de estreia de um jovem grupo de Nova York, o The Velvet Underground, chamado The Velvet Underground & Nico, produzido pelo gênio da pop art Andy Warhol. Com uma visão exatamente oposta da imaginária e utópica da cultura hippie, novos padrões para o rock seriam estabelecidos, contando com a voz da então recém chegada de Paris, Nico (cujo nome verdadeiro é Christa Päffgen), em algumas faixas. O álbum se distinguia da música daquele momento justamente pela audácia e vanguarda, soando extremamente ácido e composto por músicas com centenas de nuances. Apesar da indiferença inicial, o The Velvet Underground & Nico foi justamente um dos pilares do rock.

Sunday Morning (The Velvet Underground and Nico, 1967):

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Após o fracasso nas vendas do álbum de estreia, a relação com Warhol se desgastou,
sendo então substituído por um novo produtor, Tom Wilson. Superando as expectativas, o segundo disco foi ainda melhor que o primeiro. Quando se pensava que o The Velvet Underground & Nico seria a obra prima do grupo surge, então, White Light, White Heat. As principais críticas feitas a ele foram em relação a má qualidade da gravação, que tornava difícil distinguir os sons. Porém, o que não se percebeu é que seria exatamente essa a característica que aumentaria seu fascínio, tornando-o uma festa alucinante de confusão, desta vez sem a voz de Nico, mas sim com os líderes do grupo, Lou Reed e John Cale.

White Light / White Heat (White Light / White Heat, 1968):

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Já no terceiro álbum, chamado simplesmente The Velvet Underground se notou uma
drástica mudança. John Cale abandonou o grupo, o que foi uma perda significativa. O disco não chegou a ser ruim, mas fica longe da loucura e vanguarda dos anteriores, deixando espaço para um rock mais clássico.

What Goes On (The Velvet Underground, 1969):

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Mais tarde, veio a segunda grande perda: Lou Reed também decidiu deixar o grupo, e
então é lançado o quarto álbum, Loaded, numa tentativa desesperada de sucesso comercial e não-aprovada por Reed, que criticou severamente a falta de cuidado na gravação de algumas faixas. Apesar da reprovação e da ausência do artista, todas as faixas foram escritas por ele, o conteúdo musical é interessante, e graças a isso Loaded é considerado por fãs e pela crítica o último álbum verdadeiro da banda. E aqui é necessário abrir um parêntese: o guitarrista e ex-líder do Velvet começou uma carreira solo, onde baseou-se musicalmente no rock clássico americano, evoluindo e adaptando-se à sonoridade do New Wave dos anos 80.

Rock & Roll (Loaded, 1970):

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 Finalmente, em 1973, a banda lançou Squeeze, o quinto e último álbum, composto inteiramente pelo guitarrista Doug Yule, que tocou todos os instrumentos presentes no álbum, exceto bateria (colaboração de Ian Paice, do Deep Purple) e saxofone (creditada a “Malcolm”). Sem os dois ícones, Reed e Cale, o grupo não poderia fazer algo particularmente notável, e sua existência não tinha mais sentido. Nos anos 80 e 90 houveram algumas tentativas de reunião, acompanhadas de algumas faixas inéditas e coletâneas. Mas os dois primeiros discos, considerados dois marcos reais do mundo da música, e são por si mais do que suficientes para colocar o Velvet Underground no Olimpo do rock.

 

[Jogo] The Elder Scrolls V: Skyrim

por Bruno
Categorias: Jogos
Comentários: Sem comentários
Publicado em: 22 de janeiro de 2012

Lançado no final de 2011, The Elder Scrolls V: Skyrim é o aguardado novo capítulo de uma das franquias mais famosas e antigas da desenvolvedora Bethesda Softworks. O jogo se passa duzentos anos após seu antecessor, Oblivion, mas não é necessário ter jogado algum dos outros jogos da série para entendê-lo.

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O jogo começa com seu personagem preso, acompanhado de um rebelde, um ladrão e um suposto “traidor do reino”. Diferente dos outros, o personagem está sendo preso por um mero engano, pois não cometeu nenhum crime. Mesmo assim, ele entra para a lista de execuções. Porém, quando está prestes a ser decapitado, um dragão invade o local e ateia fogo em toda a região. É quando surge a chance de escapar; cabe ao jogador a opção de se juntar ao soldado do império que sentiu compaixão por você ou com o rebelde que o acompanhou. Esses são os cinco minutos iniciais de Skyrim, e todo o desenrolar da história depende do próprio jogador, que pode seguir as quests obrigatórias do jogo, ou escolher entre as diversas quests paralelas, que ajudam a conhecer melhor esse encantador universo, repleto de criaturas fantásticas e mistérios a serem descobertos.

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Como podemos ver nos cinco minutos iniciais de Skyrim, o jogo dá um grande ênfase à customização do personagem. Podemos escolher entre diversas raças diferentes, características físicas, idade, sexo, e é claro, seu nome. Sua personalidade é definida no decorrer do jogo e baseada nas atitudes do jogador, que pode escolher entre ser um criminoso, um agente da lei, um andarilho, um guerreiro livre com diversos seguidores, e até mesmo solteiro ou comprometido. Até mesmo a orientação sexual do personagem pode ser definida, já que é permitido o casamento entre ambos os sexos.

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Em questões técnicas, Skyrim não deixa a desejar em momento algum. Os gráficos do jogo são um verdadeiro espetáculo, cada um de seus cenários foi minuciosamente construído, o ênfase nos detalhes pode ser visto a todo momento. Os personagens, apesar de não exatamente esbeltos em sua maioria, também possuem um nível de detalhe muito alto, contendo marcas faciais dos mais diversos tipos; nenhum personagem é igual a outro. A trilha sonora é uma das mais bonitas já compostas para um jogo, se encaixando perfeitamente em cada momento.

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A jogabilidade também não deixa a desejar: os menus são rápidos, eficientes e, pra variar, detalhados. Inicialmente tive alguns problemas com a câmera, mas não demorei mais de três minutos de jogo para me adaptar. A engine do jogo, Creation Engine, é muito parecida com a Gamebryo, utilizada em Oblivion e em alguns jogos da série Fallout (Fallout 3 e Fallout: New Vegas, especificamente). Caso o jogador esteja familiarizado com algum desses jogos, se acostumará facilmente com Skyrim. Para quem joga (ou pretende jogar) no computador, apesar dos comandos no teclado responderem bem, eu recomendo que utilizem um joystick, de preferência o modelo utilizado no Xbox 360, para uma experiência melhor no geral.

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Como nada é perfeito, já era esperado que Skyrim sofresse alguns bugs em alguns momentos, ainda mais para um jogo tão grande. A grande maioria deles não chega a atrapalhar o jogo e podem ser facilmente resolvidos com um simples reload do save. Porém, alguns (bem raros) podem fazer com que o jogo trave, por isso é recomendado que o jogador salve sempre que puder. E para aqueles que desejam introduzir ainda mais conteúdo ao jogo, existem sites especializados, como o SkyrimNexus, que fornecem modificações para o jogo, que incluem poder jogar com crianças, deixar o personagem totalmente nu, novos acessórios e roupas, e até mesmo novos personagens e quests, feitas e/ou editadas por fãs. O uso de muitas modificações não é recomendado, pois podem causar alguns bugs.

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Skyrim é uma experiência muito rara hoje em dia; um jogo que empolgue do início ao fim, devido ao seu clima sombrio, fantástico e bem produzido. A Bethesda Softworks está de parabéns por ter desenvolvido um casamento perfeito entre um excelente roteiro, gráficos sensacionais e jogabilidade magnífica. Não é à toa que Skyrim ganhou tantos prêmios de “melhor jogo de 2011″ e é um dos jogos mais aclamados, não só da série, mas de forma universal. Para quem ainda não jogou: o que está esperando? Adquira já!

AVALIAÇÃO:

[Filme] Tomboy

por Pietro
Categorias: Filmes
Comentários: 1 comentário
Publicado em: 21 de janeiro de 2012

Laure tem 10 anos e acaba de se mudar, junto com a família e a irmã, para uma nova casa em um bairro de Paris. De aspecto andrógino e corpo magro, Laure decide se apresentar aos novos amigos como um menino, de nome Michaël. Neste papel é aceita pelo grupo, mas o verão está acabando, logo começarão as aulas e esse jogo de disfarces lentamente começa a ficar mais complicado.

O tema não é novo e poderia certamente ter caído às margens de uma narrativa já tratada outras vezes, como no filme belga Ma Vie en Rose, de Alain Berliner, no qual o problema se colocava nos mesmo termos, mas com os papéis invertidos. O que nos conquista no filme da diretora francesa de origem italiana é o realismo  de sua obra, o clima de frescor e delicadeza dos sentimentos. Em seu segundo longa metragem, Céline Sciamma se impõe por sua extraordinária simplicidade e uma naturalidade absoluta que envolve e comove o espectador. As lentes conseguem penetrar na personalidade dos personagens sem deixar nada ao acaso.

A jovem diretora se espelha na bela tradição francesa de filmes sobre a infância como Zéro de Conduite (Zero de Conduta no Brasil), de Jean Vigo e Les Quatre Cents Coups (Os Incompreendidos no Brasil), de François Truffaut, nos quais a sensação de espontaneidade na interpretação das crianças é obtida não com a improvisação, mas com uma delicada edição e e uma excepcional direção de pequenos atores.
O dilema que a protagonista vive em relação a identidade, dividida entre o que seu corpo impõe que seja e a irreprimível vontade de sua mente que deseja o oposto não recai em uma excessiva dramatização do personagem nem em uma injusta atmosfera de auto piedade.

Os diálogos são poucos e substituídos por uma belíssima fotografia e intensos enquadramentos em primeiro plano que substituem por reflexões o que não foi dito. A verdadeira descoberta da sensualidade da protagonista não se faz necessária pois o filme se foca sobre algo mais importante, a auto consciência de si mesma e a livre expressão do indivíduo, que vão muito além dos limites do corpo.

O roteiro foi escrito por Céline em somente três semanas, quase o mesmo tempo das filmagens. Também foi vencedor do Teddy Awards 2011, do Festival de Berlim, do NewFest – New York’s LGBT Film Festival (onde Zoé Héran ganhou o merecido prêmio de melhor atriz), entre várias outras premiações. Tomboy é uma rara e agradável surpresa ao estilo francês que vale a pena ser assistida.

AVALIAÇÃO:

[Série Animada] Happy Tree Friends

por Bruno
Categorias: Séries e Animações
Comentários: 1 comentário
Publicado em: 20 de janeiro de 2012

Happy Tree Friends é uma série de desenhos animados criada por Kenn Navarro, Aubrey Ankrum e Rhode Montijo. A série é conhecida por abusar do humor negro e de apesar do traço bonitinho e infantil, não é recomendada para crianças, pelas cenas de extrema violência, tortura e sofrimento mostradas na série.

Uma das características de HTF é que os curtas não possuem diálogo, os personagens apenas emitem sons, bem ao estilo dos cartoons clássicos dos anos 20 e 30. Apesar de toda a violência, humor negro e cenas doentias, Happy Tree Friends é bastante divertido e satírico, recomendado para todos que gostam de filmes de terror e sátiras absurdas.

Infelizmente, Happy Tree Friends não é mais transmitido no Brasil, mas há um canal oficial da série no YouTube, com a maioria de seus curtas e episódios disponíveis para assistir online: clique aqui para acessá-lo.

Alguns curtas e episódios da série:

Out On a Limb (curta)

Shard at Work (curta)

One Foot in the Grave (episódio)

Lesser of Two Evils (episódio)

Quem?
Bruno é fotógrafo profissional e futuro cineasta. Gosta de adquirir o máximo de informação e conhecimento possível sobre cultura útil e inútil, entretenimento de forma geral, e de compartilhar seu conhecimento de alguma forma. Procura escrever sobre o que mais o interessa, e evita comentar sobre o desinteressante.

Pietro é estudante de cinema em Veneza, e está prestes a concluir o curso. Não poupa elogios para aquilo que o agrada, mas não mede palavras para criticar o desagradável e vazio. No momento escreve roteiros, que em breve serão concretizados em forma de curtas e longa-metragens.
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Bem vindo , hoje é domingo, 29 de janeiro de 2012